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Folha: Petrobras teve prejuízo no 3º trimestre de R$ 3,8 bilhões

Folha de S. Paulo

A Petrobras registrou prejuízo de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2015, uma queda de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a dívida da estatal chegou a R$ 507 bilhões (R$ 91 bilhões mais que no trimestre anterior), sob efeito da valorização do dólar.

O resultado financeiro, divulgado nesta quinta-feira (12), traz fortes impactos da desvalorização cambial e da queda do preço do petróleo nos últimos meses.

Na divulgação, a companhia anunciou nova redução na projeção de investimentos para 2015: em vez dos US$ 25 bilhões, revisados nos início do mês passado, passará a US$ 23 bilhões.

Segundo o diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro, além do câmbio e do preço do petróleo, o resultado foi impactado por fatores não recorrentes, como o pagamento de uma dívida com a Receita Federal referente ao não recolhimento de Imposto de Renda em operações de importação de combustíveis no final da década passada.

Excluindo esses fatores, o balanço mostra que o plano de corte de investimentos e redução de custos operacionais apresenta resultado.

A empresa chegou ao segundo trimestre consecutivo com sobra de caixa, o que não ocorria desde 2007.

A expectativa é que 2015 seja o primeiro em oito anos com receita maior do que os gastos, segundo o diretor.

A expectativa da empresa é fechar o ano com US$ 22 bilhões em caixa, 10% a mais do que a projeção anterior.

A receita com a venda de produtos caiu 7% na comparação com o terceiro trimestre de 2014, para R$ 82,2 bilhões. O faturamento da empresa sofre impacto do preço mais baixo do petróleo e da menor venda de combustíveis no mercado interno, em razão da crise.

O aumento dos combustíveis nas refinarias (6% para a gasolina e 4% para o diesel) só entrou em vigor em 30 de setembro, último dia do terceiro trimestre.

DÍVIDA

A desvalorização do real no período elevou a dívida da companhia para R$ 506,6 bilhões, 44% mais que no fim de 2014. Nesse período, o real se desvalorizou em 49,6% em relação ao dólar.

A dívida da empresa é tomada em sua maior parte em moeda estrangeira. Quando o dólar sobe, o seu custo aumenta. O endividamento da companhia é um dos pontos de maior preocupação do mercado. Um dos propósitos do plano de desinvestimento é, aliás, fazer caixa e reduzir o volume de dívidas.

ara o analista Flávio Conde, do site Whatscall, a elevada dívida é “consequência de anos irresponsáveis”, nos quais os preços dos combustíveis foram congelados, e os gastos, elevados.

“Gastou-se muito mais do que se gerou, sem quase resultados positivos. Há inúmeros exemplos, como a Refinaria Abreu e Lima, o Comperj [Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro] e as refinarias do Ceará e do Maranhão.”

PRAZO MAIS LONGO

Monteiro disse que a Petrobras trabalha para reestruturar o perfil de sua dívida, buscando financiamentos de prazo mais longo e alternativas ao mercado de capitais.

“Espontaneamente, o mercado tem oferecido soluções para nossa dívida. Hoje tem US$ 25 bilhões em oferta de crédito na nossa mesa.”

Neste, ano, a companhia já captou US$ 14 bilhões -US$ 11 bilhões para 2015 e US$ 3 bilhões para o ano que vem. A expectativa é fechar, ainda em 2015, todas as captações necessárias para 2016.

A busca por fontes alternativas de captação se tornou necessária após o rebaixamento por agências de classificação de risco, que aumentou os custos da emissão de dívidas pela estatal.

Segundo Monteiro, o processo de venda de ativos pode reduzir a necessidade de novas captações para 2016. Neste ano, a estatal deve concretizar a venda da Gaspetro, que tem participação em distribuidoras de gás canalizado.

Para o próximo ano, a meta é vender US$ 14,4 bilhões em ativos. A diretoria da empresa inicia no dia 16 um giro pelo mundo para negociar outros ativos. “Há enorme interesse”, disse o executivo.

Além da Gaspetro, a companhia tenta vender parte da BR, sua rede de gasodutos, térmicas e fatias em campos de petróleo.

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