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Demétrio Carneiro – Segurança em saúde: Um novo recorde do governo Dilma?

Matéria publicadas hoje na Folha de S. Paulo aponta para a possibilidade de o mesmo mosquito que transmite o vírus para a dengue e outras doenças similares pode ser vetor da transmissão não apenas da doença que gera a microcefalia nas crianças, mas também de outras doenças neurológicas, pois o zika vírus atinge basicamente o sistema neurológico.

A crise de governabilidade não afeta apenas a gestão da economia. Ela vai se infiltrando em outras ações de governo. Na realidade são diversas crises que se cruzam e frente a elas os governos dos três níveis federativos se mostram ineficientes.

Há uma crise ambiental, que viabiliza a reprodução descontrolada do mosquito transmissor do vírus, pois rompeu o equilíbrio que a cadeia alimentar mantém pela inexistência de predadores em número suficiente. Nesse caso o mosquito se reproduz em volume muito superior ao que seria natural.

Há uma crise nas cidades oriunda no fenômeno do seu intenso adensamento, formando cinturões de pobreza em suas bordas, somado à inexistência de políticas de saneamento que sejam minimamente eficiente. Já sabemos que saneamento básico, nas suas diversas faces como esgotamento sanitário e pluvial, especialmente este, ordenamento e limpeza dos espaços urbanos, captação organizada dos resíduos sólidos, não dá voto. Dá voto asfaltar ruas, mesmo que convivam com esgotos a céu aberto, água de baixa potabilidade e acúmulo indevido de água das chuvas. Paralelamente inexistem ações ambientes, seja de educação ambiental, seja de prevenção ambiental.

Finalmente, há a crise da Atenção Básica, posta no colo de municípios com evidente incapacidade de gestão e que acabam dependendo dos recursos federais para promover ações em que são apenas parceiros no gasto, já que são incapazes de gerar renda própria e assim contribuir para a melhoria do sistema. Mesmo os municípios de maior porte e que são capazes de gerar renda própria para investir na Saúde Pública dão evidente mostra de que essa questão da Atenção Básica só consta de suas agendas de modo formal. Não são capazes de produzir um Plano Estratégico Municipal para a questão da saúde e na maior parte das vezes entram no jogo de empurra entre municípios de periferia, governo do estado e governo federal.

A crise da segurança na saúde tem mais dois pontos:

a) a completa alienação da sociedade civil, que, de forma irresponsável, delega ao Estado a inteira responsabilidade das soluções e se mostra incapaz de se organizar minimamente para cobrar diretamente às prefeituras e governos de estado soluções concretas e mesmo conversa fiada. Enfim, a crise da segurança na saúde começa pela crise na formação da cidadania;

b) a completa alienação do mundo da política e dos partidos políticos em especial, incapazes de sair de suas zonas de conforto para buscar soluções e impotentes para incluir esta questão em suas agendas. Todos querem salvar o mundo, mas ninguém quer dar condições de vida minimamente razoável para as pessoas reais, aquelas de carne e osso.

Demétrio Carneiro é membro do Diretório Nacional do PPS

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