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Recessão: PIB cai 5,8% em pouco mais de um ano; Brasil fica na rabeira das economias globais

O PIB (Produto Interno Bruto) registrou queda de 1,7% no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, informou nesta terça-feira o IBGE. É o terceiro recuo consecutivo e o mais logo período recessivo desde o lançamento do Plano Real, em 1994.

Com a queda, o PIB acumula retração de 5,8% ao longo de um ano e meio, quando a crise econômica começou a ficar mais evidente no segundo segundo trimestre do ano passado. Os efeitos da recessão provados pela política econômica do governo do PT estão cada vez mais presentes na vida dos brasileiros com a inflação atingindo os 10%, desemprego e aumento do preço dos alimentos e serviços.

A economia brasileira é destaque negativo entre os 41 países que já divulgaram o resultado do PIB. Enquanto parte da economia mundial registrou avanço, o Brasil vai ficando na rabeira no ranking das economias globais.

Veja abaixo a cobertura do fracasso da economia sob o comando do governo do PT:

PIB encolhe 5,8% em um ano e meio, a pior recessão desde o Plano Real

Economia brasileira cai 1,7% no 3º trimestre, um tombo mais forte que o esperado

BRUNO VILLAS BÔAS/GUSTAVO PATU – FOLHA DE S. PAU

O PIB (Produto Interno Bruto), medida da produção e da renda do país, caiu 1,7% no terceiro trimestre deste ano, na comparação aos três meses imediatamente anteriores, para R$ 1,481 trilhão, informou o IBGE nesta terça-feira (1º).

O resultado é pior do que a expectativa de economistas consultados pela agência internacional Bloomberg, de queda de 1,2% do PIB no período.

Trata-se do terceiro trimestre consecutivo de queda do PIB, a mais longa sequência desde o ano de 1990, quando o governo Collor confiscou o dinheiro depositado na caderneta de poupança para tentar conter a hiperinflação.

O PIB já havia caído 0,8% no primeiro trimestre e 2,1% no segundo trimestre, na comparação com os três meses anteriores, segundo dados revisados pelo IBGE. A economia entra tecnicamente em recessão depois de retrair por dois trimestres seguidos.

Segundo Claudia Dionísio, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o resultado do PIB reflete a fraqueza da demanda interna brasileira, afetada pela piora do emprego e renda, crédito mais restrito, inflação mais alta.

“Estamos vendo assim taxas mais negativas na economia”, disse Dionísio.

Isso faz da queda no Brasil a mais longa e a mais forte de 41 economias globais que já divulgaram dados do PIB referentes ao período de julho a setembro.

Pela avaliação da FGV (Fundação Getúlio Vargas), entretanto, a recessão começou há ainda mais tempo, no segundo trimestre de 2014, quando houve uma piora geral dos indicadores econômicos.

Segundo a estimativa de economistas consultados pelo Banco Central, o recuo em 2015 como um todo deve ser de 3,2% e, em 2016, de 2% —as previsões têm piorado semanalmente.

RECUO DE 4,5% COMPARADO COM 2014

Quando comparado ao mesmo período de 2014, o PIB teve um recuo de 4,5% de julho a setembro. A economia assim recuou 3,2% no ano e 2,5% no acumulado de quatro trimestres (12 meses).

Nesta base de comparação, foi a queda mais intensa da série histórica da pesquisa, iniciada em 1996, considerando todos os trimestres. E também a sexta queda consecutiva, a maior sequencia da série histórica.

FAMÍLIAS REDUZEM AINDA MAIS O CONSUMO

As famílias brasileiras voltaram a reduzir suas compras, pressionadas pela combinação de queda na renda, inflação elevada, crédito mais restrito. O consumo das famílias recuou 1,5% frente ao segundo trimestre e 4,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Os setores produtivos também diminuíram seus gastos devido à falta de confiança na economia. Essa resistência em investir deve dificultar ainda mais a retomada do crescimento em 2016.

Os investimentos em máquinas, equipamentos e na construção tiveram queda de 4% frente ao segundo trimestre deste ano. Na comparação com o mesmo período de 2014, a queda foi de 15%.

Segundo o IBGE, o consumo do governo —o que inclui União, Estados e municípios— continuou crescendo no terceiro trimestre, em 0,3% frente aos três meses anteriores. Frente ao mesmo período de 2014, porém, houve queda de 0,4%.

A queda é maior do que aquela esperada para o período por economistas consultados pela agência internacional Bloomberg, de 4,2%.
No acumulado do ano, o PIB encolhe 3,2%, a maior queda da série histórica, de 1996. No acumulado de quatro trimestres (12 meses), a economia teve uma queda de 2,5%.

A economia brasileira sofre com uma combinação de fatores, desde a perda de dinamismo do crescimento econômico global até a conta de anos de uma política econômica que fragilizou as finanças públicas. A crise política também não dá trégua.

Os principais componentes do PIB tiveram queda neste terceiro trimestre. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias recuou 1,5% e os investimentos tiveram queda de 4% frente aos três meses anteriores. Pela ótica da oferta, a indústria teve uma baixa de 1,3% no mesmo tipo de comparação.

AGRONEGÓCIO SURPREENDE COM QUEDA

O setor agropecuário contribuiu negativamente para o PIB, uma das surpresas da divulgação, com baixa de 2,4% na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Frente ao mesmo período do ano passado, a queda foi de 2%.
Os dados revisados também apontam para um recuo ainda maior da agropecuária no segundo trimestre. O valor anterior, de 2,7% de queda, foi ampliado para 3,5%.

Segundo Claudia Dionísio, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, o terceiro trimestre concentrou a colheita de culturas que estão com safra menor neste ano, como café, cana-de-açúcar, laranja e algodão.

Ela disse que o setor responde por 5,2% do PIB brasileiro e não foi, portanto, o que mais pesou no resultado. “É preciso portanto também olhar o dado com cuidado porque a soja responde por 34% da agricultura brasileira e está crescendo no ano”, afirmou.
A atividade industrial, que já vinha tendo quedas, repetiu o mal resultado no trimestre. Com estoques elevados e pouca confiança dos empresários, o setor tem cortado produção e empregados em ritmo intenso desde o ano passado.

No terceiro trimestre, o PIB da indústria teve queda de 1,3% na comparação ao três meses imediatamente anteriores, segundo o IBGE. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda foi de 6,7%.

Já o setor de serviços, que responde por algo como dois terços do PIB brasileiro, teve uma queda de 1% na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda foi de 2,9%.

O QUE É O PIB

O PIB, Produto Interno Bruto, é um dos principais indicadores de uma economia. Ele revela o valor adicionado a ela em um determinado período.

O cálculo do indicador pode ser feito pela ótica da oferta e da demanda. Os métodos devem apresentar o mesmo resultado.
Imagine que o IBGE queira calcular a produção gerada por um artesão que cobra R$ 30 por uma escultura de mármore. Para fazer a escultura, ele usou mármore e martelo e teve que adquiri-los da indústria.

O preço de R$ 30 traz embutidos os custos das matérias-primas utilizadas. Se o mármore e o martelo custaram R$ 20, a contribuição do artesão para o PIB foi de R$ 10. Esse tipo cálculo é replicado por toda a economia do país. A soma total da produção é o PIB nacional.

Queda do Brasil é a mais forte e mais longa entre economias globais

Folha de S. Paulo

A retração de 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto)brasileiro no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores foi um destaque negativo na economia global: não apenas foi a maior queda entre 41 países que já divulgaram o seu dado de julho a setembro, como também é a mais longa.

A contração foi praticamente o dobro da registrada pela Grécia (-0,9%), a segunda economia que mais encolheu no período.
O resultado chama atenção porque aconteceu em um período em que boa parte da economia mundial teve crescimento: dos 41 países analisados, 35 obtiveram resultado positivo ou ficaram estagnados. Somente Dinamarca, Japão, Taiwan e Estônia encolheram no terceiro trimestre, além de Brasil e Grécia.

Nos países da América Latina (referência para o ritmo do PIB brasileiro), somente Chile e Colômbia já anunciaram seus dados de julho a setembro. O primeiro cresceu 0,4%, e o segundo, 0,8%.

Outro destaque negativo do PIB é que ele acumula o terceiro trimestre consecutivo de retração, uma sequência que nenhum dos países analisados obteve no período —nem mesmo a Grécia e a Ucrânia, dois locais que vivem crises graves.

Essa sequência negativa não significa que a crise brasileira seja a mais grave no mundo hoje —a economia ucraniana, por exemplo, encolheu 6,8% no ano passado e deve cair, segundo projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional), mais 9% neste ano, ainda sob efeito do conflito com a Rússia. Porém, enquanto alguns países já dão sinais de que a crise chegou ao fundo do poço, o Brasil não dá indícios de que ela chegou ao fim.

Analistas consultados pelo Banco Central para o boletim Focus (realizado semanalmente) esperam que a retração do PIB continue até ao menos o fim de 2016 (último dado disponível) na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

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