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Vinicius Mota: Amadurecer ou apodrecer

Nações maduras arbitram o entrechoque social nos orçamentos públicos. Países que apodrecem na infância dos povos o fazem com inflação, pedaladas, dívida descontrolada, confiscos e guerra civil. Acabou a procrastinação: o Brasil terá nos próximos anos de optar entre amadurecer ou apodrecer.

Na fase imberbe de nossa democracia de massas, estimulou-se a ideia de que não havia limite para financiar direitos. O atendimento ao anseio coletivo de produzir bem-estar social contornou a difícil tarefa de impor derrotas ao anacronismo, ao privilégio e à ineficiência.

Adotou-se a via clientelista: quer um direito? Então reserve uma fatia eterna da verba pública na Constituição. Se a soma de tudo ultrapassar a capacidade do Tesouro, aumentam-se os impostos e toma-se mais dinheiro emprestado, a juros de esfolar as gerações seguintes.

Na fase madura, uma democracia começa pelo começo: que projetos são os mais importantes, ao longo dos próximos anos, para fazer avançar o direito à educação? Como vamos acompanhar a sua execução? Quanto eles vão nos custar? De onde vamos tirar os recursos, dados os limites físicos do dinheiro disponível e os outros pleitos ao erário?

De que adianta ter como meta gastar 10% do PIB no ensino público? O Brasil despende hoje nesse setor, como proporção da sua renda, tanto quanto nações ricas, mas a elevação do desembolso não resultou na melhoria esperada da qualidade. Quem não tem limites para expandir o gasto não tem estímulo para aumentar a eficiência no uso do dinheiro.

Na terra do nunca dos povos imaturos, não se discute o melhor balanço entre financiar os idosos, de um lado, ou as crianças, que pagarão a conta das aposentadorias nos próximos 50 anos, do outro. Não se debate se faz sentido sustentar tantas faculdades estatais gratuitas para a elite, enquanto 90% da população recebe uma péssima educação básica. (Folha de S. Paulo – 30/05/2016)

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