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Cristovam defende avaliação do impacto do programa Ciência sem Fronteira

Divulgação

Senador coloca em dúvida a qualidade das universidades internacionais frequentadas pelos estudantes do programa

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) disse nesta terça-feira durante audiência pública na CCTI (Comissão de Ciência e Tecnologia e Inovação) do Senado, que está na hora de o governo e a comunidade científica fazerem uma avaliação dos programas para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

A audiência discutiu o tema “Fundos de Incentivo ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico, em especial o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico (FNDCT) e o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel)”.
O senador citou o caso específico do Ciência Sem Fronteira, programa do governo federal.

– Não se pode contingenciar e temos que aumentar os recursos. Mas nós temos que fazer uma avaliação de sua execução. Por exemplo, no caso específico do Ciência sem Fronteira. Eu creio que já uns cinco bilhões gastos com o programa e está na hora de fazermos uma avaliação do impacto no desenvolvimento científico tecnológico.

Do ponto de vista do aprendizado desses jovens e da experiência no exterior, o senador disse não ter dúvida de que é positivo.

– Mas do ponto de vista do resultado científico tecnológico, esses jovens voltando eu tenho minhas dúvidas. Primeiro porque a maior parte é graduação, melhora a cabeça, melhora a vocação de alguns para a ciência, mas o impacto em si acho que é pequeno – disse.

Em sua fala, o senador colocou em dúvida ainda a qualidade das universidades internacionais paras as quais os estudantes estão indo, dentro do programa Ciência sem Fronteira:

– Poucos estudantes estão indo para as melhores universidades do mundo. Estão indo para universidades de nível médio, muitas piores até do que as universidades do Brasil. Muitos estão indo por razões de idioma, mais simplificado que o espanhol e o português e não é o caso do aprendizado que teriam em outros idiomas. Dos que aproveitam, ficam pouco tempo.

Segundo o senador, para se ter um impacto científico que o país precisa é preciso ficar que o estudante fique um bom tempo fora, para fazer um doutorado, ser assistente de um grande pesquisador.

– Se não, não traz muita coisa. E muito dos que voltam não são inseridos na carreira tecnológica. A minha impressão é que estamos tratando este programa, como muitos outros, mais como escada social, do que uma alavanca de progresso para o Brasil. Pouco estão de fato dando o resultado que a gente precisa – disse.

O senador Cristovam Buarque defendeu ainda que outra alternativa que é o país está desprezando é o intercâmbio científico, com a presença de mais cientistas estrangeiros entre nós.

– Outra alternativa que talvez trouxesse mais resultado é trazer cientistas de fora para ficar aqui cinco, dez anos, preparando uma geração. Assim foi feita a USP (Universidade Federal de São Paulo). E agente aproveito pouco a oportunidade quando havia uma crise internacional. Agora, infelizmente, com o atual campeonato mundial de crise, isso fica mais difícil. Mas, cinco anos atrás teria sido muito fácil trazer cientistas do Leste Europeu, da Espanha, da França, não dos EUA. Nós perdemos com isso a oportunidade de fazer um programa de longo prazo e buscando impacto, não o atendimento dessa escada social que é ir fazer um curso fora – disse.

O parlamentar do PPS sugeriu que o Senado trabalhe para inserir o programa Ciência Sem Fronteira no Sistema Nacional do Conhecimento e da Inovação.

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