CIDADANIA23

PORTAL NACIONAL

George Vidor: Pós-olimpíadas

Está todo mundo curtindo os Jogos Olímpicos Rio 2016, mas existe uma certa preocupação no ar em relação ao emprego na cidade e no estado logo após a Olimpíada. Obviamente, muitos empregos temporários desparecerão. Mas também não se deve esperar um desastre, pois, na verdade, grande parte do impacto negativo sobre o mercado de trabalho carioca já ocorreu, com a desmobilização de mão de obra e de serviços a cada obra concluída de infraestrutura, estádios e hotéis.

De janeiro a junho, as capitais brasileiras perderam cerca de 532 mil empregos formais. No município do Rio de Janeiro, esse número foi de 55,4 mil, e, no estado, atingiu 105 mil. Para efeito de comparação, na cidade de São Paulo, no mesmo período, 69 mil empregos formais foram perdidos. Ou seja, antes mesmo dos Jogos, o Rio sofreu, relativamente, uma onda de desemprego maior que o principal centro econômico do país.

Em 2015, foi bem diferente, pois a crise abateu São Paulo mais fortemente no ano passado. Enquanto no total das capitais a redução de empregos formais no primeiro semestre foi de 1,3%; no Rio, o percentual bateu em 2,7%. Às vésperas de um evento grandioso como os Jogos Olímpicos, isso parece uma contradição.

No entanto, diante da crise da economia brasileira e do enfraquecimento do setor de óleo e gás, que tem sido o vetor que dá mais impulso à economia fluminense, o mercado de trabalho não conseguiu absorver o enorme contingente de mão de obra que seria liberado com a conclusão das obras na cidade. No segundo semestre, tal quadro será menos terrível, pois o efeito positivo das Olimpíadas deverá se estender pelo restante do ano, ao mesmo tempo em que se espera alguma recuperação da economia brasileira como um todo.

Com as obras finalizadas, já não haverá mais liberação de pessoal. Timidamente, a Petrobras começa também a retomar contratos que estavam anulados, o que inclui instalações no Comperj, em Itaboraí. _ Estrela da energia A energia fotovoltaica (conversão da luz solar em eletricidade) ainda aparece depois da vírgula, como casa decimal nas percentagens na matriz brasileira, mas tem um potencial de no futuro — quando se tornar mais competitiva — atender a todo o consumo de residências no Brasil.

Isso poderá ocorrer por uma combinação de geração nas próprias residências e em usinas maiores, especialmente as chamadas híbridas, que devem ser instaladas ao redor ou nas proximidades de usinas eólicas, movidas pelo vento, além de lagos de algumas hidrelétricas. As híbridas podem compartilhar a mesma infraestrutura (linhas de transmissão, por exemplo), possibilitando uma razoável redução de custo. Por enquanto, a geração fotovoltaica é cara.

O investimento nas residências só se paga em um prazo entre sete e dez anos, o que reduz o número de interessados ao grupo de amantes da natureza com razoável sobra no orçamento doméstico. A geração fotovoltaica é intermitente. À noite não há geração, só consumo (e, nesse caso, com auxílio de baterias), porque é necessária a exposição direta dos painéis à luz solar. A passagem de uma nuvem impedindo essa exposição interrompe a geração (o que é um problema na Amazônia por exemplo).

Por isso, nenhum sistema elétrico de alto consumo pode funcionar apenas à base de geração fotovoltaica ou eólica, ambas intermitentes. Tal dificuldade só será resolvida com o avanço da tecnologia para “armazenamento” de energia, em baterias. Porém, as distribuidoras de eletricidade já começam a ficar atentas para o impacto da micro e da minigeração em residências. Quando o consumidor gera a própria eletricidade e tem excedente, ele “empresta” essa energia para a distribuidora. Ou seja, o relógio “anda” ao contrário.

No entanto, a distribuidora tem de manter a rede operando, o que exige investimentos. A agência reguladora (Aneel) estabeleceu regras tarifárias já prevendo esse futuro. Ainda assim, o impacto permanece sendo uma incógnita para as distribuidoras, o que levou o Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) do Instituto de Economia da UFRJ a se aprofundar sobre esse tema.

Grandes hidrelétricas, usinas nucleares e térmicas (a gás, especialmente) continuarão sendo muito necessárias, inclusive para a estabilidade do sistema elétrico, que não pode depender de fontes intermitentes. O consumo de eletricidade tende a crescer com o aumento da frota de veículos elétricos. Mas não há dúvida que o mundo está entrando em uma nova fase energética. (O Globo – 15/08/2016)

Nenhum conteúdo relacionado

Deixe uma resposta