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Investigadores preveem divulgar em fevereiro delações da Odebrecht, diz Estadão

A divulgação da delação de 77 pessoas ligadas a Odebrecht deve ser divulgada no fim do recesso do Judiciário, em fevereiro, preveem os investigadores da Operação Lava Jato, informa nesta quarta-feira (18) “O Estado de S. Paulo”.

“A expectativa é de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, retire o sigilo da maioria dos cerca de 900 depoimentos tão logo as colaborações sejam homologadas”, diz o jornal.

No entanto, uma pequena parte do material deverá ser mantida em sigilo para não comprometer o aprofundamento das investigações

Delação da Odebrecht deve ser divulgada em fevereiro

Lava Jato – Investigadores esperam que Teori Zavascki, do STF, retire o sigilo de boa parte dos cerca de 900 depoimentos de executivos e ex-executivos logo após homologação

Beatriz Bulla,Fábio Fabrini, Fabio Serapião – O Estado de S. Paulo

Investigadores da Operação Lava Jato preveem que boa parte do conteúdo das delações da Odebrecht seja tornada pública na primeira quinzena de fevereiro. A expectativa é de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, retire o sigilo da maioria dos cerca de 900 depoimentos tão logo as colaborações sejam homologadas. Isso deve ocorrer após o fim do recesso do Judiciário, no próximo mês.

Uma pequena parte do material, no entanto, deverá ser mantida em sigilo para não comprometer o aprofundamento das investigações. A divulgação dos relatos de 77 delatores ligados à empresa causa apreensão no mundo político, que deve ser diretamente atingido pelas apurações. Como relator da Lava Jato no Supremo, cabe a Teori validar as delações. Para isso, uma equipe de auxiliares do ministro analisa todo o material durante o recesso.

Os acordos são resultado de uma longa negociação, que se estendeu durante quase todo o ano de 2016. Nos depoimentos, que serão divulgados em formato de áudio e vídeo, sem transcrições, os delatores relatam propina para políticos e operadores no Brasil e fora do País em troca de contratos de obras públicas, além do uso de contas e empresas no exterior para viabilizar os pagamentos ilícitos.

Segundo pessoas com acesso aos depoimentos, aliados próximos ao presidente Michel Temer serão diretamente atingidos pelas delações dos executivos e ex-executivos da empresa, o que deve trazer turbulência política para o governo. Antes mesmo de a delação ser homologada, Temer já sofreu baixas na equipe. Em dezembro, quando o teor do depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira Cláudio Melo Filho foi conhecido, o então assessor especial da Presidência José Yunes, amigo de Temer há 50 anos, deixou o governo.

Ele foi acusado pelo delator de receber dinheiro em seu escritório em São Paulo em 2014. Yunes nega a informação e diz que nunca teve contato com Melo Filho. Próximas fases. Após a homologação dos acordos e divulgação do conteúdo, a Procuradoria- Geral da República e a força- tarefa da Lava Jato podem realizar operações e solicitar diligências, como quebra de sigilos bancário e telefônico de pessoas investigadas. A previsão é de que o processo de investigação ligado à Odebrecht seja longo, com a distribuição de trabalhos em vários Estados.

Isso porque, segundo a empreiteira, o pagamento de propina envolveu obras federais, estaduais e municipais. Por isso, a apuração não ficará concentrada em Brasília ou Curitiba. Um dos depoimentos tidos como cruciais para os investigadores é o de Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo e ex-presidente da empresa. Considerado o “príncipe” das empreiteiras, Marcelo resistiu à delação. Ele é o único executivo do grupo que continua preso em Curitiba, mesmo após a assinatura do acordo, em dezembro.

Com a delação firmada, Marcelo cumprirá dez anos de pena no total, sendo que até o fim de 2017 permanecerá atrás das grades. Já o pai de Marcelo, Emílio Odebrecht, revelou informações da atuação da empresa no esquema e o histórico do grupo. Emílio poderá passar um ano comandando a reestruturação da companhia, que se comprometeu com regras de compliance, antes de iniciar o cumprimento de pena em regime domiciliar. “Delação democrática”. A avaliação de pessoas que acompanharam a colheita dos depoimentos é de que a delação da Odebrecht é politicamente “democrática”.

Ou seja, atinge líderes e siglas de diferentes polos da política nacional. Em dezembro, o vazamento de um anexo da delação de Melo Filho mostrou que senadores, deputados e ministros mantiveram relações com a empresa – seja por troca de favores, seja ao receber valores para atuar em benefício da Odebrecht. As colaborações do grupo vão gerar “recalls” em acordos da Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez.

Segundo investigadores, diante das extensas revelações da Odebrecht, as duas outras empreiteiras terão de complementar os acordos feitos anteriormente, sob risco de terem os benefícios acertados com o Ministério Público invalidados.

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