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Blog do PPS-SP: A cruzada de Fernando Holiday por uma “escola sem partido”

O vereador Fernando Holiday (DEM) provocou mais uma polêmica na Câmara Municipal de São Paulo ao realizar sua cruzada pela “escola sem partido” e pedir que alunos e familiares denunciem a “doutrinação partidária e ideológica” nas salas de aula.

Ao realizar “visitas surpresa” para, segundo ele, “fiscalizar a estrutura física e o conteúdo das aulas”, Fernando Holiday foi acusado por colegas do PT, do PSOL e do PPS de extrapolar as suas funções e constranger professores no exercício da profissão. Veja  aqui a posição do vereador do DEM e aqui a resposta do vereador Claudio Fonseca (PPS) para compreender as opiniões divergentes.

Não podemos nos calar diante da polêmica. Eis o posicionamento do Blog do PPS:

Valorizamos a participação dos jovens na política, até porque a democracia necessita da pluralidade e do arejamento proporcionado por esses novos atores. Sob esse aspecto, é louvável que uma cidade como São Paulo tenha entre os seus vereadores eleitos um jovem de apenas 20 anos, como é Fernando Holiday, coordenador do Movimento Brasil Livre.

Que ele anuncie entre as suas prioridades a preocupação com a qualidade da Educação, então, é ainda melhor. Porém, para que esse voluntarismo não se transforme em açodamento, nem que o entusiasmo juvenil no exercício do poder acabe se confundindo com abuso de autoridade, alguns esclarecimentos devem ser feitos, além de um chamamento à responsabilidade.

O vereador Fernando Holiday tem anunciado nas suas redes sociais que vem realizando “visitas surpresa” em algumas escolas municipais para “fiscalizar a estrutura física e o conteúdo das aulas”. Dentre os seus objetivos, diz o neófito político, estaria garantir a “escola sem partido”, com a missão de “denunciar e coibir os casos de doutrinação partidária e ideológica”.

Parece haver aí uma enorme confusão do que é ideologia. Ora, vereador Fernando Holiday, não há como combater a ideologia como conjunto de ideias, de pensamentos e de visões de mundo, que são legítimas e indissociáveis no processo de Educação, até porque é papel de professores e educadores orientar o indivíduo para suas ações sociais e também políticas, como cidadão em formação.

A “doutrinação ideológica” que o vereador do DEM parece desejar combater é aquela usada como instrumento de dominação de quem age por meio do convencimento persuasivo ou da alienação do indivíduo, que teria portanto diminuída a sua capacidade de pensar ou agir por conta própria.

Mas, veja que contradição: Esta ação de Fernando Holiday, por si só, é altamente ideológica por expressar a sua particular doutrinação partidária e política, no sentido mais restrito e mesquinho. Também é abusiva, no sentido de extrapolar as funções de um vereador no exercício do seu mandato, e até injusta, por ele se julgar imbuído do direito de estabelecer, com critérios absurdamente subjetivos e pessoais, se os profissionais do ensino que ele “fiscaliza” estão desempenhando a contento as suas obrigações.

Diz o vereador Fernando Holiday que a sua luta é contra “o discurso fascista e totalitário” da esquerda, mas não percebe – ou do contrário agiria por má-fé, o que sinceramente não me parece ser o caso – que ao agir no sentido radicalmente oposto, faz ele próprio um discurso fascista, totalitário e desrespeitoso com os educadores, com os colegas parlamentares e demais servidores públicos.

Não cabe a militância partidária na sala de aula, seja ela socialista ou liberal, para impingir aos alunos as suas crenças e visão de mundo. Por outro lado, é inaceitável o clima de caça às bruxas ou de mordaça que tenta se impor ao professor, inclusive ao criticar genericamente e sem razão a sua atuação em movimentos, partidos e sindicatos. Pior ainda quando esse carimbo preconceituoso e intimidatório contra a “esquerda” parte de alguém que tem a sua própria origem num movimento político e a sua atuação declaradamente de “direita”, o que é legítimo e democrático.

Sinceramente, não precisamos nem de escolas de títeres, nem de tiranos. À direita ou à esquerda, vereador Fernando Holiday, devemos combater os excessos. O que compete à União – e não casuisticamente aos nossos mandatos locais – é garantir a pluralidade de ideias no ambiente de ensino. Há instrumentos de controle da sociedade – todos eles amparados nos princípios democráticos e republicanos – para garantir a qualidade e o bom rumo da nossa Educação.

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