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Marqueteiros do PT: “Chefe” Lula dava a “palavra final” sobre pagamentos de caixa 2 que Dilma também sabia

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Acerto dos repasses sempre dependia da "palavra final do chefe", diz Santana

A cada nova divulgação de delações da operação Lava Jato vai ficando mais evidente que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandava uma organização criminosa que tomou de assalto o Estado brasileiro. A retirada do sigilo das delações dos marqueteiros do PT, João Santana, e sua mulher, Mônica Moura, mostra como funcionava a organização criminosa liderada pelo “chefe” Lula nas campanhas eleitorais do PT.

Segundo Santana, ele tratava diretamente com Dilma ou com Lula quando necessitava fazer cobranças de pagamentos atrasados de campanhas. Ao falar especificamente sobre o período em que o petista ocupava a Presidência, o marqueteiro narrou que o acerto para os repasses sempre dependia da “palavra final do chefe”, se referindo a Lula.

Já Mônica afirmou ter sido avisada pela então presidente Dilma de que seria presa pela Operação Lava Jato, em fevereiro do ano passado. Mônica e o marido foram responsáveis pelas duas campanhas de Dilma à Presidência, em 2010 e 2014, e pela reeleição de Lula, em 2006. No acordo, o casal dá detalhes de como foi informado por Dilma sobre os avanços da operação.

O casal fiz as últimas três campanhas petistas à Presidência: a de reeleição de Lula, em 2006, e as duas campanhas de Dilma Rousseff, em 2010 e 2014.

“Respaldo do chefe”

O marqueteiro disse que Lula, em 2005, o orientou a acertar os honorários da campanha à reeleição, em 2006, com Antonio Palocci, então ministro da Fazenda. E que, em outro momento, Palocci disse que, “para segurança de todos”, os depósitos seriam feitos em uma conta no exterior pela Odebrecht, pois “além do porte e seriedade, a empresa tinha o respaldo do chefe”.

João Santana também descreveu como pressionava para ser pago. Afirmou que em momentos críticos de inadimplência durante as campanhas, era ele, João Santana, que após tentativas frustradas de Mônica Moura, dava o “alerta vermelho” a Lula, e depois a Dilma, ameaçando interromper os trabalhos.

A marqueteira Mônica Moura apresentou o extrato dos pagamentos recebidos em 2007, após a campanha de Lula. O dinheiro foi repassado pela Odebrecht em uma conta na Suíça. Os valores e datas se aproximam do extrato apresentado pelo delator e ex-executivo da Odebrecht Pedro Novis, com quem João Santana diz que se reuniu para tratar de pagamentos.

Segundo os marqueteiros, a dívida que sobrou da campanha de 2006 foi de R$ 10 milhões, metade desta sobra foi paga pela Odebrecht no exterior, e a outra metade, segundo Mônica Moura, foi paga em dinheiro vivo, num acerto feito pelo ex-ministro Palocci.

Mônica contou que em 2006 e 2007 viajou muito para São Paulo para receber dinheiro em espécie. A entrega era feita, usualmente, dentro de um shopping, por um intermediário de Palocci, que entregava sacolas com os valores em dinheiro em caixas de roupas, de sapatos. Foram pagos de forma parcelada cerca R$ 5 milhões.

Dilma tratou de caixa 2 no Palácio do Alvorada

O casal de publicitários também contou que os pagamentos via caixa dois se intensificaram nos governos de Dilma Rousseff. Segundo eles, com a participação direta da ex-presidente. Segundo Mônica Moura, Dilma tratou de pagamentos ilegais até mesmo dentro do Palácio da Alvorada

João Santana detalhou como Dilma participava das conversas sobre caixa dois. Contou que entre maio e junho de 2014 teve um almoço com Dilma, sem testemunhas, em que a presidente o tranquilizou sobre a dívida da campanha de 2010 e sobre pagamentos de caixa dois. Ele reproduziu na delação o que diz ter ouvido de Dilma:

“Fique tranquilo que tudo será resolvido rapidamente em relação a esta dívida, e o que estamos planejando vai permitir, inclusive, pagarmos uma parte antecipada da campanha deste ano”.

Ele contou que, a dois meses da eleição de 2014, os pagamentos só começaram a sair depois da interferência direta de Dilma.

Segundo o publicitário, a presidente Dilma Rousseff demonstrou irritação e disse que iria tratar do assunto com Guido Mantega. Após a conversa, os pagamentos começaram a ser feitos, mas jamais no ritmo prometido.

A dívida da campanha presidencial de 2010 estava em R$ 10 milhões.

O caixa dois foi repassado pelo acusado de intermediar pagamentos de propinas, Zwi Skornicki: US$ 4,5 milhões, ou R$ 9 milhões. Restou ainda uma dívida de R$ 1 milhão que, segundo o casal, nunca foi paga.

A parte quitada pode ser comprovada, segundo Mônica Moura, com extratos dos pagamentos, em parcelas, feitos por Zwi Skornicki.

Dinheiro vivo

Houve pagamentos da campanha em dinheiro vivo também: R$ 5 milhões entregues em espécie pela Odebrecht em São Paulo, por pessoas que Mônica Moura disse acreditar que eram doleiros.

Mônica contou que se tratava de um esquema profissional: ela passava um endereço, recebia uma palavra senha e recebia o dinheiro no local indicado de um desconhecido.

O modelo se repetiu na campanha de reeleição de Dilma, em 2014. Mas o valor do caixa dois foi maior: R$ 35 milhões. E Dilma tratou de pagamentos ilegais até mesmo dentro do Palácio da Alvorada, segundo Mônica Moura. (Com informações da agências de notícias e da TV Globo)

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