CIDADANIA23

PORTAL NACIONAL

Crise política afeta qualidade das reformas e aumenta incertezas na economia

Sandro Egues

O acirramento da crise política com a delação dos donos da JBS que atingiu o primeiro escalão do governo de transição do presidente Michel Temer vem causado apreensão e desconfiança no mercado financeiro, no meio empresarial e pode prejudicar a recuperação da economia brasileira. Segundo analistas, a situação pode afetar a queda da taxa de juros e na aprovação das reformas essenciais propostas pelo governo que estão sob análise do Congresso Nacional.

O economista e dirigente do PPS, Demétrio Carneiro, afirmou, ao analisar a questão, que o fator político voltou a atingir negativamente a retomada econômica quando essa começava a dar sinais, embora tímidos, de superação da recessão provocada pelo governo do PT.

demetrio
“Governo luta por sobrevivência”

“Ainda não é uma crise se desenhando. O que se desenha é uma redução no processo de retomada e isso tem haver com a questão da confiança. Existia uma expectativa do mercado de uma negociação rápida em relação à renúncia de Temer, mas ele sinaliza que não tem essa intenção. Aquilo que estava descolado, a economia da política, volta a colar novamente e isso é péssimo. Existe o risco efetivo de uma redução no ritmo que estava tendo. O processo de retomada estava começando a engatinhar, mas agora isso pode ser postergado”, disse.

Segundo Demétrio, apesar da qualidade dos integrantes da equipe econômica, o mercado começa a observar o processo político com desconfiança e questiona se o governo conseguirá ter condições políticas para realizar as mudanças necessárias.

“Com as denúncias, o mercado começa a olhar para esse problema com desconfiança. Questiona se a equipe econômica terá condições políticas para fazer o que é preciso como a estabilidade da economia e a aprovação das reformas em curso. Isso não quer dizer que o Banco Central não vai reduzir os juros, mas já não será no mesmo ritmo [como indicou em comunicado nesta quarta-feira (31) o Copom ao anunciar o corte de 1% da Selic]. Certamente serão mais prudentes. Volto a repetir, o maior problema é que a política voltou a aderir à economia”, afirmou.

Reformas

Ao analisar o andamento das reformas no Congresso Nacional, Demétrio Carneiro destacou que é preciso “ter esperança”. Para ele, o enfraquecimento do governo pode afetar na qualidade das mudanças em debate.

“Não tem outro jeito. Agora é ter esperança. No momento ninguém consegue garantir que as reformas manterão o mesmo andamento que estava tendo. O risco agora é que se mexa muito mais nos projetos do que era possível e no final fazer reformas meia boca. Com o governo enfraquecido serão necessárias mais negociações e nós sabemos qual o custo disso. Quinze dias atrás tínhamos um governo centrado na aprovação das mesmas. Agora, esse mesmo governo está focado unicamente na sua sobrevivência”, analisou.

Nenhum conteúdo relacionado

Deixe uma resposta