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Cristovam Buarque diz que saneamento deveria ser tratado como questão de saúde pública

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O levantamento do Atlas Esgoto foi realizado em 5.570 municípios do País

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) defendeu, em entrevista ao Portal do PPS, que o saneamento básico deveria ser tratado como questão de saúde pública no Brasil. Ao analisar o estudo Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas (veja aqui) realizado pela ANA (Agência Nacional das Águas), que revela que 45% dos brasileiros não possuem acesso adequado à água tratada e esgoto, o parlamentar afirmou que o fato se deve a divisão social entre ricos e pobres no País.

"País é dividido em duas castas"
“País é dividido em duas castas”

“Existem duas filosofias: aquela que acredita que é preciso criar mais leitos e outra de que é preciso diminuir o número de doentes que buscam os leitos nos hospitais. Eu sou da segunda filosofia. A elite brasileira passou para o povo que a saúde é uma questão de hospitalização. Nós acreditamos que a saúde vem com o saneamento, seguido por ações preventivas e por fim, mais leitos nos hospitais”, defendeu.

O levantamento, considerado o maior já realizado no Brasil, traz informações sobre os serviços de esgotamento sanitário no País, com foco na proteção dos recursos hídricos, no uso sustentável para diluição de efluentes e na melhor estratégia para universalização desses serviços. Segundo a pesquisa, 55% dos brasileiros dispõem de fossas sépticas ou rede de coleta e tratamento de esgoto. As avaliações foram feitas em 5.570 municípios do País.

Divisão social

Cristovam Buarque lamentou o fato de o Brasil sofrer com uma forte divisão social entre ricos e pobres, que, segundo o parlamentar, explicaria a falta de saneamento para uma parcela significativa da sociedade . “O País é dividido em duas castas que não se convivem. Então temos os pobres sem água, esgoto, educação, saúde e segurança pública. Logo desprezamos o saneamento por uma concepção equivocada de saúde e por uma questão social de não atender aquilo que o povo precisa”, criticou.

Exemplo administrativo

O senador ressaltou a sua atuação como governador do Distrito Federal (1995 a 1998) na área do saneamento básico. O seu governo levou saneamento para 100% das residências na capital federal.

“Como fizemos? Baixamos o custo por meio de um sistema chamado saneamento condominial inventado 50 anos atrás por um engenheiro pernambucano chamado José Carlos Melo. No sistema convencional é preciso instalar canos no meio das ruas resistentes a passagem de caminhões e carros. Melo inventou um sistema que passa pelas residências e daí fica bem mais barato. É uma questão de organização. O custo cai substancialmente. Só precisa de vontade e inteligência . Tivemos vontade e usamos a inteligência”, disse.

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