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Estudo mapeia sete tecnologias que já mudam a indústria no país, aponta O Globo

Internet das coisas e inteligência artificial alteram modelo de negócio de dez setores

Ana Paula Machado – O Globo

-São Paulo- – Sete tecnologias já têm impactos disruptivos (inovação que suplanta tecnologias existentes) em sistemas produtivos estratégicos da indústria brasileira: inteligência artificial, internet das coisas (IoT), produção inteligente e conectada, materiais avançados, nanotecnologia, biotecnologia e armazenamento de energia. Essas fontes de inovações vêm provocando mudanças significativas em modelos de negócio, padrões de concorrência e em estruturas de mercado para setores como agroindústria, química, petróleo e gás, bens de capital, automotivo, aeroespacial e defesa, tecnologia da informação e comunicação, bens de consumo e farmacêutico.

Os dados são do “Projeto Indústria 2027”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com os institutos de economia da UFRJ e da Unicamp. Na atual fase do projeto, que será concluído em 2018, 40 pesquisadores brasileiros e estrangeiros identificaram e analisaram tecnologias de alta relevância para a indústria nacional e mundial, e o potencial de transformação de cada uma delas em dez setores produtivos.

Paulo Mól, superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e coordenador da pesquisa, diz que há vários segmentos na indústria investindo em pesquisa, mas o número ainda é pequeno comparado ao de países como China, EUA e Alemanha:— No mundo, até 2025, somente com pesquisas em inteligência artificial, serão movimentados US$ 60 bilhões.

Pesquisa da Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) mostra que o país ainda está na fase de automação através da eletrônica, robótica e programação — estágio designado como o da Indústria 3.0. Países avançados estão um degrau acima, o da indústria 4.0, que combina automação com a inteligência artificial. O índice que mede a automação de um país é aferido pela relação da quantidade de robôs por dez mil funcionários. No Brasil, esse índice é de dez robôs/dez mil empregados. No Japão e na Coreia do Sul, são 400 equipamentos por grupo de dez mil pessoas. Nos EUA e Alemanha, de 300 por dez mil empregados.

Estudo da consultoria Frost & Sullivan apontou que o mercado de Internet das Coisas movimentou US$ 1,35 bilhão no Brasil, com a indústria automotiva e suas fornecedoras entre as que mais investem.

Mól lembra que os novos conceitos de processo produtivo implicarão grandes mudanças na formação dos profissionais empregados na indústria.— Há necessidade de maior capacitação. O profissional não estará no chão de fábrica, será aquele que irá programar o robô para exercer a função. É preciso, neste sentido, a atuação mais forte das universidades — diz.

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