CIDADANIA23

PORTAL NACIONAL

No O Globo, Jungmann diz que situação de guerra acabou na Rocinha

Jungmann diz que guerra acabou e que tiroteios fazem parte da história da favela

Ministro da Defesa admitiu atraso na implementação de um pacote social para jovens

JULIANA ARREGUY – O Globo

-SÃO PAULO- “A situação de guerra na Rocinha acabou, mas os tiroteios são parte da história da comunidade’’. Assim o ministro da Defesa, Raul Jungmann, avaliou o momento atual da favela. Ontem, durante um evento da Força Aérea Brasileira (FAB) em São Paulo, ele disse que o combate ao crime organizado é tarefa das polícias Militar e Civil e que cabe ao Exército, subordinado à sua pasta, apenas apoiar ações do estado.

— Quando chegamos (à Rocinha), havia uma guerra, e hoje não existe mais isso. Existe tiroteio, mas, infelizmente, isso faz parte da história da comunidade. Aquela situação agravada, do jeito que estava, não existe mais — disse o ministro. Jungmann admitiu um atraso na implementação de um pacote social anunciado em setembro, destinado às comunidades cariocas.

O plano teria o objetivo de promover iniciação esportiva, alimentação e assistência para jovens. — Essa abordagem deveria ser essencial, faz parte do programa e está atrasada por dificuldades no plano orçamentário, mas espero que saia este mês — argumentou o ministro. Também tinham sido prometidas ações-surpresa de inteligência contra o tráfico de drogas, acompanhadas de incursões do Exército em conjunto com forças policiais.

Apesar dos confrontos recentes, o ministro garantiu que essas operações têm sido realizadas: — Não temos a pretensão de ficar patrulhando a Rocinha o tempo todo porque o crime tira férias e volta. O Exército atuou duas vezes na Rocinha em um mês. Cinco dias após a disputa pelo comando do tráfico na favela adquirir contornos cinematográficos, em 17 de setembro, Jungmann determinou o envio de 950 militares para atuar no entorno da comunidade.

Vinte e quatro horas antes do anúncio, o governador Luiz Fernando Pezão havia desautorizado a entrada de militares na região, mas mudou de ideia após o fechamento da Autoestrada Lagoa-Barra por quatro horas, no dia 22, em função de um intenso tiroteio. O cerco das Forças Armadas durou uma semana.

O Exército retornou à comunidade na semana passada para “operações pontuais’’, segundo o Comando Militar do Leste (CML). Poucos dias antes do começo dos confrontos na Rocinha, o CML havia declarado, em nota, que aguardava a entrada de recursos para realizar novas ações na cidade. Jungmann, em resposta, disse que a ausência das tropas nas ruas se justificava por decisões do governo do estado, responsável pelo planejamento das operações conjuntas.

Nenhum conteúdo relacionado

Deixe uma resposta