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João Passos: A crise da democracia representativa

A política no estado brasileiro, seja no período Republicano ou Imperial é exercida de forma representativa, Até meados do século passado era mais forte a representações de grupos claros na sociedade, aos poucos foi se ampliando a representação e um mesmo parlamentar por exemplo, acabava por representar mais de um seguimento da sociedade. No dia a dia da política era muito comum ver um líder de uma família que definia o voto de todos os membros daquele conjunto familiar. As lideranças sindicais conseguiam influenciar de forma direta os trabalhadores de determinada categoria e o fenômeno se seguia com professores, padres, pastores entre outros, portanto o esforço para o a garantia do voto de um político se dava em convencer um determinado número de lideranças para que estes o levasse a vitória.

Voltando um pouco mais no tempo, cerca de 2500 anos, verificamos a democracia grega onde a pólis se reunia através da ampla maioria dos seus habitantes para tomar suas decisões, alguns poucos ficavam de fora por livre e espontânea vontade, estes eram conhecidos como idiotas ou seja, pessoas que pensavam apenas em si e nos seus problemas, naquela época os políticos que eram necessariamente todos que participavam das decisões e que era a maioria da população, eram justamente aqueles que preocupavam-se com o futuro da cidade.

Com o passar do tempo e a concentração de poder levou o ser humano a se apegar a este poder, criar privilégios e cada vez mais tentar não perder o poder adquirido. Desta forma a democracia representativa chega ao auge de seu desgaste com as pessoas não sentindo-se mais representadas por aqueles que estão no poder. Nós não estamos diante de uma crise política de representação no Brasil, na verdade esta crise que é mundial é uma encruzilhada histórica enterrando definitivamente a forma que conhecemos de fazer política e administrar a coisa pública.

Com isso vimos o enfraquecimento dos partidos que obviamente presenta este formato de se fazer política, as manifestações que tomaram conta do Brasil no ano de 2013 foram uma demonstração clara de como esta nova pessoa imagina se fazer representar, cada cartaz carregado pelas ruas, mostrava um desejo único de mudança, os grandes pensadores ainda não consegue saber qual é o caminho, porém este novo ser humano que pensa de uma maneira diferente e que talvez nem mesmo ele saiba o que realmente deseja está dando suas caras desde a década de 1970 e talvez os estudiosos tenham se equivocado quando avaliaram estes movimentos iniciados lá atrás apenas como um movimento de uma geração egoísta que pensava mais em si mesmo do que nos outros, as novas tecnologias que surgem a cada dia nos demostram que sim, este ser humano pode ter iniciado num movimento de egoísmo, no entanto lentamente vai se transformando em um novo sentimento que talvez ainda tenhamos que encontrar a palavra para definir, por ser ele mais individual porém preocupado com  o coletivo e o que parecia um paradoxo pode cada vez mais estar se configurando para esta nova sociedade. Fica a pergunta, pode o coletivo ser individual?

Desta forma temos mais perguntas do que respostas e devemos entender este movimento e lentamente ir criando formas de se inserir nele e inseri-lo nas decisões dos partidos políticos e do estado, partidos políticos que estão com os dias contados da forma que conhecemos. Talvez o momento seja de reativar a democracia grega, substituindo a representação ou democracia representativa por participação ou democracia participativa. Usar das novas tecnologias para que as pessoas não sintam-se m ais representadas mas sim participando efetivamente das decisões indo por este caminho fica fácil entender a Primavera Árabe, as manifestações de 2013, o descontentamento com os políticos, a falta de credibilidade dos partidos e o surgimento de um conservadorismo exacerbado. Estamos vivendo um momento de profunda transformação social, cultural e político onde o pedido é apenas um “Eu quero tomar as decisões sobre os temas que irão mudar a minha vida”.

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