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Tati Teixeira: A mentira da igualdade de gêneros

Experimentei na política a falta de respeito com as mulheres. Não sou intransigente, mas defendo uma política com participação popular e baseada em princípios básicos como igualdade, liberdade e dignidade humana. Na primeira escola em que estudei, formei grêmios estudantis e apliquei esses princípios. No Legislativo Municipal, onde atuei como vereadora e presidente da Câmara, estas também foram minhas bases. Mas não fui poupada de uma ação política desigual. Em 2006, quando fui convocada pela primeira vez para participar de uma eleição, era uma emboscada: candidata laranja. Mas não fui avisada disso e fiz votação respeitável. Depois de dez anos a história se repetiu de outro jeito. Com o caminho aberto para uma candidatura a prefeita, artimanhas políticas me conduziram para vice. E algo incomum aconteceu: o candidato a prefeito abandonou a disputa. E o pior, fora dos prazos eleitorais, me obrigando a deixar o processo eleitoral. Ali eu era uma mulher desrespeitada. E ele seguiu sem nenhum prejuízo, porque era deputado estadual.

Fica evidente que a sonhada igualdade e liberdade pela democracia é uma mentira. Dados obtidos da eleição de 2016 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmam a afronta: das 16.131 candidaturas que não receberam nenhum voto, praticamente 90% eram de mulheres. As famosas candidatas laranjas. Uma vergonha para o país, pois informações das Nações Unidas comprovam a clara associação entre o desenvolvimento social e a igualdade de gênero na política.

Quanto maior a representação feminina, melhor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de uma Nação. É óbvio que a paridade de gênero é fundamental para garantir a eficiência econômica e a conquista de resultados primordiais ao desenvolvimento. A falta de cumprimento dos direitos e a violência contra as mulheres afetam gravemente os índices nacionais e lesam o convívio saudável.

Nossa luta pela igualdade não se trata de uma luta para satisfação da mulher, trata-se de uma questão de Estado. O equilíbrio entre os gêneros é preponderante à própria sociedade. Romper as barreiras que impossibilitam as mulheres de acessar as mesmas oportunidades dos homens em questões de educação, saúde, economia e produtividade geram fundamentais ganhos para o desenvolvimento do país. Este cenário de transformação passa pela política, com a aplicação e o respeito dos direitos das mulheres. Jamais podemos esmorecer diante de uma cultura que nega direitos iguais. E para o bem de todos, vamos seguir juntas, de cabeça erguida trabalhando por novas conquistas e ampliar nossa participação nos processos de decisões que ajudam a construir um mundo melhor.

Tati Teixeira é pedagoga e psicopedagoga, presidente do Instituto Florir Brasil e do PPS de Criciúma (SC)

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