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Jardim critica uso eleitoreiro da greve de caminhoneiros e defende debate sensato na busca de soluções

Robson Gonçalves

Parlamentar acredita na convergência e na discussão de alternativas sensatas

A deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), que até abril comandou a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo criticou nesta segunda-feira (28), em discurso no plenário da Câmara o uso político da greve dos caminhoneiros que ainda persiste no País, apesar de acordos fechados e da série de concessões feitas pelo governo federal. O deputado disse que não há solução fácil e mágica para essa crise e defendeu um debate sensato na busca de soluções duradouras.

“Eu não vou me somar nunca àqueles que vão simplesmente aproveitar este momento para fazer proselitismo político ou que vão simplesmente alardear aquelas soluções mágicas que os seus partidos, donos da verdade, preconizam. Nós somos aqueles que acreditam na convergência, na discussão de alternativas sensatas e que têm, efetivamente, não um intuito eleitoreiro, mas a intenção de buscar resolver esta situação grave que vivemos”, disse o parlamentar.

Jardim ressaltou que a situação é muito grave no País e citou alguns números para mostrar os efeitos que esse movimento já causaram. Segundo ele, no estado de São Paulo 158 usinas de produção de etanol e de açúcar estão paralisadas por não terem diesel para tocar a sua produção; centenas de granjas de suínos e de aves estão paralisadas, e, no porto de Santos, navios atracados esperam por cargas que não conseguem chegar, o que abre um precedente gravíssimo que pode justificar rompimento de contratos e mercados conquistados a duras penas serem perdidos para a exportação do Brasil.

O deputado alertou ainda que essa crise não pode servir também para que se interrompa o processo de recuperação da Petrobras, dilapidada pela corrupção no governo do PT. “Não me alinho àqueles que vão aproveitar este momento para jogar na lata do lixo aquilo que foi um processo de reconstrução da Petrobras. A política de preços de combustíveis da Petrobras foi necessária porque nós tínhamos uma situação de um total artificialismo conduzido que, afora o mal feito, fez com que a empresa perdesse valor de mercado. Ao contrário do seu valor histórico, em torno de 700 bilhões de dólares, que é o preço da Petrobras, vimos esta empresa chegar à casa dos 70 bilhões de reais”, ressaltou.

Para Jardim, essa política de preços pode ser aperfeiçoada, mas tudo precisa ser feito com responsabilidade. “A ideia de bandas por tempo ou por faixas? Sim, mas nós não vamos na solução fácil de simplesmente preconizar tabelamento de preços ou de artificialismos que conduziram o nosso país a este descalabro que nós vivemos. Por onde não vamos também? Seguir interesses corporativos, interesses corporativos que tenham muitos padrinhos enquanto o interesse público estiver órfão”, afirmou.

Isenções tributárias

Segundo o deputado, há espaço para atender algumas reivindicações dos caminhoneiros, no entanto é preciso que se avalie o custo disso. “Até quando o Brasil está disposto a pagar por isso? Quanto isso já custou? E todo o processo de alternativas que se discute, de isenções tributárias, quem vai pagar o preço? A sociedade? Por que privilegiar um segmento sem ter uma visão coletiva?”, indagou.

Ele também lembrou de avanços da Câmara e do Senado quando aprovaram o RenovaBio para instituir alternativas no campo do biocombustível e diversificar a matriz energética do país. Defendeu ainda uma reforma tributária mais profunda, para que se possa ter alternativas não pontuais, mas estruturantes.

“Vamos no sentido de um diálogo efetivo, como foi praticado pelo governador de São Paulo, Márcio França [PSB], que dialogou com as lideranças e adotou aquilo que há muito tempo se desejava, ou seja, isentar de cobrança o chamado eixo suspenso, entre outras iniciativas. Diálogo, sim. Visão geral do País, sim. Construir alternativas estruturantes, sim”, defendeu o deputado, que nesta terça-feira (28), a partir das 9 horas, participa de uma Comissão Geral no plenário da Câmara para debater o preço dos combustíveis no Brasil.

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