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Leandro Colon: Nova crise, velhos erros de Temer

O governo Michel Temer vive espécie de maldição da segunda quinzena de maio. Se o presidente pudesse, certamente pediria para o ano pular o mês atual. As três crises que abalaram o Planalto sob gestão emedebista ocorreram no período: a queda de Romero Jucá (e toda uma sangria a estancar), em 2016, a delação bomba da JBS, em 2017, e, agora, a greve que mergulhou o país no caos.

São episódios carregados de suas circunstâncias, mas todos revelando uma característica que marca o governo Temer desde o seu início, pós-impeachment de Dilma Rousseff

Em nenhum, houve autocrítica sobre erros. Em todos, houve práticas equivocadas de reação política.

Na saída de seu ministro do Planejamento, flagrado em conversas nada republicanas sobre a Lava Jato, Temer rendeu elogios, destacando o que chamou de “trabalho competente” e “dedicação” do aliado político.

Um ano se passou da revelação do encontro clandestino de Temer com Joesley Batista no subsolo do Jaburu. Um ano da cena de Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor presidencial, dando uma corridinha numa calçada puxando uma mala de viagem com R$ 500 mil de propina da JBS.

E o que o presidente disse sobre a imagem policial que marca o governo? “Coitado, ele [Loures] é de boa índole, de muito boa índole”, declarou, em entrevista dada à Folha.

É maio de 2018 e mais uma vez o governo está acuado, repetindo demonstrações de desarticulação política e de comunicação para reagir a uma crise. O Planalto levou quatro dias para emplacar, com boa dose de razão, o discurso da prática de locaute (ação de empresários) na paralisação de caminhões pelas estradas.

Apenas no quinto dia de greve, Temer apareceu para um pronunciamento no Planalto. Demorou amostrar autoridade e a botar as forças federais nas ruas para desobstruir as rodovias. E foi impreciso ao chamar de “minoria radical” um movimento cuja maioria deu as cartas desde o começo. É incrível que o governo vacile tanto, até na hora em que tem rara chance de obter apoio popular. (Folha de S. Paulo – 28/05/2018)

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