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No Jornal Nacional, Alex Manente comenta saída de Pedro Parente da Petrobras

Integrantes do governo questionavam política de preços da Petrobras

Pedro Parente interpretou como um recado as falas de Temer e de Moreira Franco, no mesmo dia, admitindo rever a política de preços da Petrobras

Jornal Nacional – TV Globo

Nos últimos dias, integrantes do próprio governo chegaram a questionar, em público, a política de preços da Petrobras, enquanto a pressão aumentava com a greve dos caminhoneiros. A reportagem é de Andréia Sadi (veja aqui).

Antes de se reunir, nesta sexta-feira (1º), com o presidente Michel Temer, Pedro Parente conversou com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, na quinta-feira (31), em São Paulo.

Pedro Parente entregou a carta de demissão a Temer em caráter irrevogável. O presidente primeiro resistiu, mas, diante da decisão, não fez mais nenhum gesto para segurá-lo no cargo.

O ex-presidente da Petrobras vinha amadurecendo a ideia desde que anunciou que a empresa daria sua contribuição para o fim da greve dos caminhoneiros com a redução de 10% no diesel.

Ele avaliava que a questão do diesel poderia estar se resolvendo, mas outros temas, como o preço da gasolina, ainda estariam na pauta do país, e ele não queria ser “parte do problema”.

Por isso, na conversa com Temer nesta sexta, Pedro Parente disse que queria deixar o governo à vontade para solucionar a questão da política de preços.

Na semana passada, o ex-presidente da Petrobras chegou a afirmar que não sofreu pressões do governo e que a redução no preço do diesel não representava mudança na política de preços da empresa, que ele sempre defendeu. Mas no começo desta semana, Temer disse, em entrevista à TV Brasil, que poderia reexaminar a política de preços da estatal.

“Convenhamos, a Petrobras se recuperou ao longo destes dois anos. Estava em uma situação, digamos, economicamente desastrosa há muito tempo. Mas nós não queremos, digamos, alterar a política da Petrobras. Nós podemos reexaminá-la, mas com muito cuidado”, disse Temer.

A frase, contraditória, foi seguida de um esclarecimento da Secretaria de Comunicação: Temer admitiu que poderia reexaminar a política de preços da Petrobras.

No mesmo dia, num debate na Câmara dos Deputados, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, falou em mudanças na política de preços. Ele defendeu uma espécie de colchão para a formação de preços da Petrobras, mas disse que isso não significaria controle do governo sobre a empresa: “Isso dará segurança ao processo de composição de preço, preservará a integridade da Petrobras como empresa e dará previsibilidade ao contribuinte”, afirmou Moreira Franco.

No dia seguinte, em nota, o Planalto negou que pudesse rever a política de preços.

Moreira Franco foi o auxiliar de Temer que mais pressionou Pedro Parente durante a greve dos caminhoneiros, queixando-se diretamente ao ex-presidente da Petrobras sobre a política de preços de todos os combustíveis.

Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou que “a política de liberdade de preços da Petrobras, assim como das demais empresas de petróleo que atuam no país, é uma política de governo. Que a Petrobras teve e tem total autonomia para definir sua própria política de preços”.

O Ministério diz que “colocou em debate público a criação de uma política de amortecimento dos preços dos combustíveis ao consumidor, um mecanismo que proteja o consumidor da volatilidade dos preços nas bombas”. Algo, segundo a nota, fora da política de preços da Petrobras.

Na noite desta sexta-feira, Moreira Franco disse que não exerceu qualquer pressão sobre o presidente da Petrobras para alterar a política de preços da empresa e que não teve nenhuma interferência sobre a decisão de Pedro Parente. Segundo Moreira, é uma política de governo não interferir na política de preços das empresas.

O Planalto também nega qualquer interferência na política de preços da Petrobras, mas a pressão do governo na estatal durante a greve foi a gota d’agua para Pedro Parente. O ex-presidente da Petrobras interpretou como um recado as falas do presidente e de Moreira Franco, no mesmo dia, admitindo rever a política de preços da Petrobras. Na prática, Pedro Parente decidiu se antecipar: se permanecesse no comando da estatal, a pressão política por sua saída seria intensificada.

Reações na Cãmara e no Senado

A demissão de Pedro Parente provocou reações entre os políticos. O presidente do Senado, Eunício Oliveira, do MDB, disse que “o presidente de uma empresa monopolista como a Petrobras precisa reunir visão empresarial, sensibilidade social e responsabilidade política. E que a “Agência Nacional do Petróleo deve ter participação mais ativa na formação dos preços dos combustíveis”.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Democratas, afirmou que a saída de Pedro Parente “é uma notícia ruim para a Petrobras e o Brasil. Gestor de grande qualidade, tinha começado a recuperar a empresa”. Maia disse que espera que o próximo presidente mantenha a mesma qualidade da gestão de Pedro Parente.

A líder do MDB no Senado, Simone Tebet, disse que “Pedro Parente foi fundamental para a recuperação da Petrobras e que o sucessor precisa ser um gestor político, que entenda que a Petrobras é uma estatal que pertence ao povo brasileiro”.

O líder do PPS na Câmara, Alex Manente, apoiou a saída de Pedro Parente: “Primeiro pela política que ele implantou. A Petrobras presta o serviço sozinha, serviços essenciais, visa o lucro e quem paga essa conta é o cidadão comum. É importante a saída dele para termos um novo rumo nessa empresa importante do Brasil que é a Petrobras.”

O líder do PCdoB na Câmara, Orlando Silva, culpou a política de preços pela crise: “A crise que o país mergulhou, com esses acontecimentos envolvendo os caminhoneiros, é consequência da política de preços da Petrobras, que elevou os preços dos combustíveis à estratosfera. É insustentável manter essa política, e a queda de Pedro Parente é o primeiro passo para que essa política da Petrobras seja revista.”

O líder do Democratas na Câmara, Rodrigo Garcia, disse que a demissão de Pedro Parente é ruim nesse momento: “A greve dos caminhoneiros expôs a política de preços de combustíveis praticada pela Petrobras, e o governo acertadamente manteve essa política, usando a redução de impostos e outros instrumentos para minimizar o aumento que houve nos últimos dias. E o pedido de demissão, nesse momento, de Pedro Parente é no mínimo inoportuno. Não ajuda em nada o Brasil nesse momento de crise.”

O líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues, disse que a saída de Pedro Parente deve ser vista com cuidado: “Eu vejo políticos da direita, da esquerda comemorando a saída de Pedro Parente e sugerindo a indicação de um comando político para a Petrobras. Pedro Parente errou ao transformar posto de combustível em casa de câmbio, mas nós também não podemos oportunisticamente entregar a Petrobras a um controle artificial de preços só com resultados e dividendos eleitorais.”

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