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Arquiteta diz a Moro que mostrou a Marisa projeto de reforma da cozinha do sítio de Atibaia (SP)

Arquiteta diz que encontrou Marisa para falar de obra em sítio

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, Maria Cecília de Castro afirma que mostrou a ex-primeira-dama projeto de cozinha do sítio de Atibaia

Luiz Vassallo, Victoria Abel – O Estado de S. Paulo

A arquiteta Maria Cecília de Castro afirmou ontem, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que apresentou à ex-primeira-dama Marisa Letícia o projeto para reforma da cozinha do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). Arrolada como testemunha de defesa de Fernando Bittar, proprietário do imóvel, ela disse que o projeto não foi executado porque Marisa não teria gostado. A arquiteta afirmou ter sido paga por Fernando Bittar pelo projeto.

O caso envolvendo o sítio representa a terceira denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Lava Jato. Segundo a acusação, a Odebrecht, a OAS e também a empreiteira Schahin, com o pecuarista José Carlos Bumlai, gastaram R$ 1,02 milhão em obras de melhorias no sítio em troca de contratos com a Petrobrás. A denúncia inclui ao todo 13 acusados, entre eles executivos da empreiteira e aliados do expresidente.

Condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá, Lula está preso há dois meses em Curitiba. Marisa Letícia faleceu em fevereiro de 2017. No depoimento a Moro, a arquiteta disse ao juiz que recebeu uma solicitação de Bittar e sua mulher, Lillian Bittar, para “ampliar a cozinha” do sítio. “Queriam ampliar a cozinha, fazer uma mais moderna, fechada, dentro da casa. Uma cozinha mais moderna para a sala do jantar.

Fiz um estudo para isso, mas o projeto não deu seguimento”, afirmou. Maria disse a Moro que Bittar e Lillian queriam “mais pessoas dando palpite” no projeto. “Ele pediu para ter uma reunião com a tia dele, para ela também dar palpite”. “Quando eu cheguei lá e encontrei com ele (Bittar), ele ia apresentar e falou: Fernanda, vou te avisar que minha tia era a dona Marisa.

Eu falei: ah, não sabia disso.” Ainda segundo o depoimento, a arquiteta disse que projeto não ficaria como a ex-primeiradama “gostaria” porque haveria um “pilar no meio da sala”. “Ia ficar uma coisa meio estranha que ela (Marisa Letícia) não gostou muito”. “E eu falei pra ela: para ficar bom, a gente teria que reformar o telhado da casa”, concluiu a arquiteta. O imóvel foi comprado no fim de 2010, quando Lula deixava a Presidência.

O sítio está registrado em nome de dois sócios dos filhos do ex-presidente, Fernando Bittar – filho do ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar – e Jonas Suassuna. A força-tarefa da Lava Jato sustenta que o sítio é de Lula. O ex-presidente nega. Segundo o advogado do expresidente, Cristiano Zanin Martins, o depoimento deixa claro que Fernando é proprietário do sítio, “como consta no Cartório de Registro de Imóveis”. “A testemunha (Maria Cecília) informou que Fernando Bittar pediu e pagou pelo trabalho da arquiteta.”

Ofício

O juiz federal Sérgio Moro informou, por meio de ofício, ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que ainda vai avaliar se a ação envolvendo o sítio tem conexão com acertos de corrupção na Petrobrás. Moro enviou relatório ao ministro no âmbito do recurso da defesa do ex-presidente contra a decisão que manteve o processo na Justiça do Paraná em que o petista é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A Segunda Turma do Supremo decidiu, em abril, retirar de Moro trechos de delações de executivos da Odebrecht que faziam menções ao ex-presidente nos casos do sítio de Atibaia e do Instituto Lula. O colegiado entendeu que os fatos referentes à ação penal não correspondem a desvios na Petrobrás.

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