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Delação premiada de Antonio Palocci negociada com a Polícia Federal é homologada pela Justiça

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Ex-ministro foi homem de confiança de Lula e Dilma nos governos petista

O desembargador João Pedro Gebran Neto, do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre, homologou nesta sexta-feira (22) os depoimentos de delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci com a PF (Polícia Federal). Os depoimentos estão em segredo de Justiça, e o conteúdo não foi divulgado. Palocci está preso desde setembro de 2016 em função das investigações da Operação Lava Jato.

Homem de confiança nas gestões dos ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, é esperado que a delação de Palocci revele detalhes adicionais de acertos de corrupção nos governos petistas. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, em setembro do ano passado, o ex-ministro disse que Emilio Odebrecht e Lula firmaram um “pacto de sangue” (veja abaixo). Nos últimos dias de mandato, segundo Palocci, o empresário levou ao ex-presidente um “pacote de propinas”.

O ex-ministro fechou os termos da delação com delegados responsáveis pelas investigações da Lava Jato após os procuradores do MPF (Ministério Público Federal) rejeitarem o acordo. O ex-ministro foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 12 anos, dois meses e 20 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um dos processos da operação.

A decisão foi tomada após a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que, nesta semana, validou autorização legal para que delegados das polícias Civil e Federal possam negociar delações premiadas, conforme previsto na Lei de Organizações Criminosas (12.850/2013).

“Pacto de sangue” com Odebrecht

Ao falar da relação de Lula com empreiteiras, o ex-ministro disse que parte do dinheiro entregue nas mãos do expresidente e na sede do instituto do ex-presidente teria saído diretamente da “conta Amigo”, a reserva de propina atribuída ao petista no Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht. Em depoimentos prestados a Moro, Palocci relatou que havia um “pacto de sangue” entre o ex-presidente e o empreiteiro Emílio Odebrecht, dono da empresa que leva o seu sobrenome.

Já ao citar Dilma, Palocci afirmou aos investigadores que ela teria atuado para atrapalhar as investigações da Lava-Jato no episódio da nomeação de Lula para ministro da Casa Civil, em março de 2016. Além de detalhar os casos de corrupção dos quais participou ou teve conhecimento, o ex-ministro deve apresentar provas do que disse e do que pode vir a revelar.

Se mentir ou quebrar algumas das cláusulas firmadas, poderá perder os benefícios negociados. Investigadores relataram à reportagem que a Petrobras também terá acesso ao conteúdo de acordo de delação do ex-ministro, ainda sem previsão para tornar-se público. Palocci foi informado da homologação de sua delação com a PF por volta das 16h de ontem, e depois passou a acompanhar o assunto pela televisão que fica na carceragem da sede da PF de Curitiba, onde ele e outros presos da Lava-Jato que negociam acordo de delação permanecem detidos. (Com informações da agência de notícias)

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