CIDADANIA23

PORTAL NACIONAL

Ex-braço direito de Lula, Palocci diz que petista negociava e recebia propinas de projetos do pré-sal

Reprodução

MPF: Depoimento “apresenta o caráter de novidade frente ao atual estágio da investigação”

O ex-ministro da Fazenda do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Antonio Palocci, afirmou em depoimento ao MPF-DF (Ministério Público Federal do Distrito Federal), no dia 26 de junho, que o petista atuava diretamente no pedido de vantagens indevidas envolvendo projetos relacionados ao pré-sal. Segundo Palocci, Lula e o governo petista entraram num clima de “delírio político” com a descoberta das reservas bilionárias de óleo e passaram a atuar de maneira descuidada do ponto de vista jurídico.

Segundo informações do jornal “O Globo”, o ex-braço direito de Lula afirma que ele foi beneficiário direto de propinas de outros projetos do governo, como a negociação do contrato bilionário de compra de caças para a renovação da frota da FAB (Força Aérea Brasileira) e no caso da construção da Usina de Belo Monte. Para o procurador Frederico Ferreira, o depoimento de Palocci “apresenta o caráter de novidade frente ao atual estágio da investigação”.

No depoimento ao Ministério Público, e ex-ministro de Lula relata uma série de pressões realizadas pela cúpula do governo petista sobre os fundos de pensão que financiavam o projeto de sondas da Sete Brasil, a empresa criada durante o segundo governo Lula para construir as sondas de exploração de petróleo em águas profundas que seriam compradas pela Petrobras para extrair o óleo do pré-sal. Segundo Palocci, Lula considerava os recursos do pré-sal suficientes para financiar “quatro a cinco campanhas a presidente”.

Palocci contou também que Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff pressionaram para que fundos de investimentos aplicassem na empresa, mesmo com falta de estudos técnicos. “O pré-sal colocou todos os âmbitos do governo em torno dessas riqueza. No governo Lula, o pré-sal foi enxergado como um passaporte para o futuro, que foi um bilhete premiado no final de governo. Que o clima era de delírio político. Que isso dá ao ex-presidente um momento de atuação raro, descuidando da parte jurídica. Que ele passa a atuar diretamente no pedido de vantagens indevidas”, diz Palocci no depoimento. “Que, em outros casos de atuação direta do ex-presidente Lula, como dos caças, com atuação do presidente francês, receberam vantagens indevidas Lula e o PT, ou, no caso de Belo Monte”, segue o ex-ministro.

No depoimento, o procurador Frederico Ferreira reconhece o status de colaborador de Palocci, cita o acordo firmado pelo ex-ministro com a Polícia Federal – já homologado pelo Tribunal Regional da 4ª Região –, e registra que o depoimento de Palocci “apresenta o caráter de novidade frente ao atual estágio da investigação”. O que significa que Palocci, na condição de colaborador, não será incriminado por suas confissões perante a investigação que corre em Brasília.

Palocci foi condenado pelo juiz federal Sergio Moro, que comanda os processos da Operação Lava-Jato em Curitiba, a 12 anos, dois meses e 20 dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Lula é réu, por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa em uma ação penal que apura supostas irregularidades em negociações que levaram o governo brasileiro a comprar 36 caças da empresa sueca Saab. Na época dos fatos narrados por Palocci, foi cogitada a compra de aeronaves francesas.

Na semana passada, o relator da ação penal, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal da Brasília, autorizou o depoimento de Palocci no processo, para o dia 20 de novembro.

Vallisney diz que, caso Palocci mantenha sua versão, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim deverá ser ouvido novamente no processo, já que, também segundo Palocci, ele teria participado da reunião com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy. Jobim já prestou depoimento no caso, no ano passado, mas não mencionou o encontro.

“Me parece importante que, após a oitiva de Antônio Palocci, e se mantida por ele a sua versão, sejam reperguntados ao Ministro da Defesa, testemunha Nelson Jobim, sobre a referida reunião que teria ‘durado noite adentro’ entre o último, o ex-presidente Lula e o Presidente Francês da época Nicolas Sarkozy, e se de fato o representante da França saiu com uma espécie de contrato ou protocolo de compromisso da compra dos caças franceses Mirage e ainda se houve alguma menção ou negociação de propina nessa reunião”, escreveu Vallisney. (Com informações de O Globo)

Nenhum conteúdo relacionado

Deixe uma resposta