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Bolsa cai e dólar registra alta em quinta-feira agitada

Bolsa reflete exterior e cai 0,91%. Dólar tem alta de 0,39%

Donald Trump volta a criticar política de juros do BC americano, e Dow Jones recua 2,13%

JOÃO SORIMA NETO E GABRIEL MARTINS – O GLOBO

SÃO PAULO E RIO- Em um dia de muita volatilidade no mercado financeiro, o dólar comercial avançou 0,39%, a R$ 3,77 —a segunda alta consecutiva —, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 0,91%, aos 82.921 pontos.

Pela manhã, a moeda americana chegou a cair a R$ 3,72, embalada pela primeira pesquisa do segundo turno da eleição presidencial. Mas, à tarde, passou a subir com o clima ruim no exterior, após novas declarações do presidente americano Donald Trump contra o Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Na quarta-feira, Trump afirmou que o Fed “havia enlouquecido” por defender aumento da taxa básica de juros, atualmente entre 2% e 2,5%. Ontem, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, rebateu Trump e defendeu o presidente do Fed, Jerome Powell.

— Powell é extremamente sério — disse Lagarde à rede de televisão CNBC.

“FORA DE CONTROLE”

Trump, no entanto, voltou à carga ontem: disse que o Fed está “fora de controle” por elevar demais as taxas de juros. Ele culpou o BC americano pelo segundo dia consecutivo de queda nos mercados, devido à preocupação dos investidores com os juros. E afirmou que a política de juros do Fed é “ridícula” e torna mais caro para o governo financiar seu déficit:

— Estou pagando juros altos por causa do nosso Fed. Eu gostaria que nosso Fed não fosse tão agressivo. Mas, ao ser perguntado sobre o futuro de Powell, Trump disse que não vai demiti-lo.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em queda de 2,13%, enquanto o S&P 500, mais amplo, recuou 2,06%, e a Bolsa eletrônica Nasdaq perdeu 1,25%. Nos últimos dias, as curvas do rendimento dos títulos do Tesouro vêm subindo, devido à expectativa de que o aquecimento da economia leve o Fed a subir os juros
mais do que o previsto.

Ontem, nem os dados de inflação mais fracos do que o esperado evitaram a queda nos mercados. A alta foi de 0,1% no mês passado, contra previsão de 0,2%.

Pesou ainda o temor de aumento das tensões comerciais entre Pequim e Washington. Trump, que já impôs sobretaxas a US$ 200 bilhões em produtos chineses, não descartou novas ações:

— A economia deles desacelerou substancialmente, e há muito mais afazer, se eu quiser — disse Trump à Fox News. — Eu não quero fazer, mas eles têm de sentar à mesa (para negociar).

REALIZAÇÃO DE LUCROS

Para o economista-chefe da corretora Spinelli, André Perfeito, a Bolsa brasileira foi influenciada pelo cenário externo. Mas aponta um movimento de realização de lucros, depois de uma valorização do Ibovespa de quase 4%, em dólar, nos últimos cinco pregões:

— Em meio a um clima ruim no exterior, a Bolsa brasileira acabou sendo afetada. Mas o Ibovespa foi o único índice que acumulou um ganho tão expressivo num prazo tão curto. Hoje devolveu um pouco dos ganhos.

Entre as estatais, as ações da Petrobras fecharam em queda, influenciadas pelo recuo de mais de 2% no preço do petróleo. As preferenciais (PN, sem direito a voto) caíram 3,07%, e as ordinárias (ON, com voto) perderam 1,78%. Os papéis ON do Banco do Brasil recuaram 2,98%, enquanto Eletrobras caiu 2,94% (ON) e 1,91% (PNB).

Já as ações ON da Magazine Luiza subiram 4,64%, a maior alta do Ibovespa, embaladas pela alta de 1,3% no varejo em agosto.

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