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Alberto Aggio analisa motivo da diferença entre Bolsonaro e Haddad cair na pesquisa Datafolha

Reprodução

"O que houve foi mais uma queda de Bolsonaro do que uma subida de Haddad", diz Aggio

Em entrevista ao site Nexo (veja aqui e o resumo abaixo), o professor e historiador Alberto Aggio analisou o resultado da última pesquisa de intenção de voto do instituto Datafolha da corrida presidencial liderada até aqui pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (25), revelou uma redução de seis pontos percentuais na vantagem de Bolsonaro sobre Fernando Haddad (PT).

Segundo ele, “o que houve foi mais uma queda de Bolsonaro do que propriamente uma subida de Haddad, e que “a queda pode abrir uma tendência no final da campanha, mas não está claro que Haddad tenha capacidade de operar a sedimentação dessa mudança”.

A três dias do segundo turno, marcado para domingo (28), a distância entre os dois agora é de 12 pontos percentuais, levando em conta apenas a intenção de votos válidos, sem contar brancos, nulos e indecisos. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, divulgada exatamente uma semana antes, a vantagem de Bolsonaro sobre Haddad era de 18 pontos percentuais.

Ao avaliar o resultado da pesquisa para o Nexo, Alberto Aggio considerou ainda que a “proximidade do dia da votação vai gerando mais definições no eleitorado”. Segundo ele, “havia a sensação de que Bolsonaro iria levar facilmente a eleição e que Haddad iria se resignar a executar o papel de perdedor. Não aconteceu nem uma coisa nem outra”, ressaltou.

Questionado sobre o que a redução da intenção de voto no candidato do PSL representa a três dias da votação, o historiador disse que “a questão é saber se Bolsonaro irá cair mais ou não”.

O Datafolha entrevistou 9.173 eleitores em 341 cidades entre quarta-feira (24) e quinta-feira (25). A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE sob nº BR-05743/2018.

O que explica a queda da vantagem de Bolsonaro sobre Haddad?

Alberto Aggio – Em primeiro lugar, creio que a proximidade do dia da votação vai gerando mais definições no eleitorado. Havia a sensação de que Bolsonaro iria levar facilmente a eleição e que Haddad iria se resignar a executar o papel de perdedor. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Mas, nesta semana, a campanha de Bolsonaro cometeu muitos erros. A começar pelo ar de prepotência, de achar que a eleição já estava ganha. Passar a impressão de que já está escolhendo o ministério como se estivesse eleito constituiu um erro clamoroso.Desconheço eleitorado que simpatize com essa posição. Depois houve o bate-cabeça do entorno de Bolsonaro e dele mesmo, voltando a fazer discursos que, ao contrário de algumas inclinações anteriores, mais palatáveis, geraram um mal-estar visível no Poder Judiciário. O que houve foi mais uma queda de Bolsonaro do que propriamente uma subida de Haddad. O petista também cometeu alguns erros esta semana, mas de pequena monta, ainda que tenham sido graves.

O que esse movimento representa para as campanhas a três dias da votação?

Alberto Aggio – A questão é saber se Bolsonaro irá cair mais ou não. A queda pode abrir uma tendência no final da campanha, mas não está claro que Haddad tenha capacidade de operar a sedimentação dessa mudança. Creio que Haddad, até o momento, não tem conseguido construir fatos mobilizadores que impulsionem um arrancada final. Mas é possível que isso ocorra. Haddad não conseguiu formar a tal frente em defesa da democracia. Há pouco tempo para isso se efetivar. O problema é que o antipetismo não é uma invenção, um capricho do eleitorado. Ele é real. E, eleitoralmente falando, o problema de Haddad é precisamente o PT. A mudança de imagem [no segundo turno, atenuando o uso da imagem de Lula na campanha] pode vista como artificial e até cínica, dependendo do observador.

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