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Sessão Solene presidida por Carmen Zanotto alerta para a pandemia de diabetes

Carmen Zanotto (centro) preside sessão ao lado de Hermelinda Pedrosa e Andrew Boulton

4,5 milhões de mortes ao ano em todo o mundo. Um número superior ao registrado em toda a primeira Guerra Mundial, quando morreram 4 milhões de pessoas. No Brasil, os alvos desse mal ocupam 44% dos leitos hospitalares. Das vítimas de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), 80% são portadoras desse problema que, ao longo dos anos não vem sendo tratado com atenção adequada pelos governantes e também pela população. É hora de virar o jogo. A Diabetes não uma doença qualquer. Já se tornou uma pandemia.

O alerta, mais do que necessário e que precisa ser espalhado pelos quatro quantos do país, foi feito nesta quinta-feira (01) durante sessão solene na Câmara dos Deputados, presidida pela deputada federal Carmen Zanotto (PPS-SC), que homenageou à Campanha de Conscientização do Mês do Diabetes, conhecida internacionalmente como Novembro Azul. O evento reuniu parlamentares, autoridades nacionais e internacionais sobre o tema, além de portadores da doença e familiares.

Presidente da Frente Parlamentar Mista da Diabetes, Carmen Zanotto lembrou que em um ranking de países com o maior número de portadores de diabetes, organizado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil aparece em 4º lugar.

“Estima-se que a doença atinja mais de 16 milhões de brasileiros, o que representa 7% da população. O diabetes já é a quarta causa de morte em nosso país, tendo também aumentado sua incidência de 2010 a 2016, ao registrar um aumento de 12% nestes seis anos e causando a morte de 61.398 pessoas, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade”, afirmou a deputada.

Diante desse quadro, Carmen disse que as entidades que tratam do tema no país vêm unindo esforços em conjunto com o Ministério da Saúde para reinserir o tema no calendário nacional e consolidar o Novembro Azul como o mês de conscientização sobre prevenção e tratamento da diabetes. Ela explica que, desde 1991, a Federação Internacional de Diabetes e a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiram o dia 14 de novembro como o “Dia Mundial do Diabetes” e a cor azul como sua cor símbolo.

“No Brasil, a campanha começou em 2007, quando se instalaram iluminações em azul nos pontos turísticos do país e nos eventos propostos pelas associações de diabetes. Contudo, um ano depois, foi criada a campanha pelo câncer de próstata também em novembro, com a mesma cor do diabetes. A temática do câncer de próstata acabou se sobrepondo ao Novembro Azul do diabetes por uma desarticulação das associações e pacientes. Hoje, no entanto, felizmente estamos retomando esse importante trabalho de conscientização”, destacou.

Conquistas

E, de acordo com a deputada, é preciso reconhecer que nos últimos anos já ocorreram avanços. Deputados e senadores aderiam a causa, formaram a frente parlamentar, e começaram a acompanhar junto ao Ministério da Saúde a implementação de políticas globais para a promoção da prevenção do diabetes e da assistência integral às pessoas portadoras da doença.

Uma das conquistas desse trabalho foi o início da distribuição, pelo Ministério da Saúde, de doses de insulina análoga, um medicamento mais moderno e de efeito mais rápido no tratamento da doença. Também foi aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto 133/2007, relatado por Carmen, que instituiu a política nacional de prevenção do diabetes e assistência integral à saúde da pessoa diabética. Após ter passado pela Câmara, a proposta está pronta para ser votada pelo plenário do Senado.

“Conseguimos avançar muito a partir da Constituição de 1988 e com a criação do SUS, que junto com nossa Carta completa hoje 30 anos. Quem não lembra como antes era difícil conseguir os glicocímetros e as glicofitas, para medir a insulina na corrente sanguínea. Hoje o SUS fornece”, destacou.

Participantes da sessão comemoram união a favor dos portadores de diabetes

Família

A deputada destacou ainda a importância da família no acompanhamento dos diabéticos. A ação da família, por sinal, é o tema da campanha de conscientização desse ano. “O papel da família é de suma importância nessa luta. Eles são os mais próximos do paciente, acompanham o seu dia-a-dia e são fundamentais na melhoria de vida dos portadores da doença”, destacou.

Já a presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Hermelinda Cordeiro Pedrosa, agradeceu o apoio que as entidades e os portadores de diabetes passaram a receber dos parlamentares e disse que essa união é fundamental para a prevenção e o combate à doença. “Nossa missão é no sentido da busca de melhoria de atendimento no serviço público de saúde”, afirmou.

Pandemia

O presidente da Federação Internacional do Diabetes, Andrew Boulton, destacou que a diabetes se configura, em pleno século 21, na mais séria pandemia que a humanidade já presenciou. Ele citou as 4,5 milhões de mortes anuais causadas pela doença, mas disse que, mesmo assim, a população ainda não se deu conta do quanto é séria a situação.

Citando seu próprio caso, revelou que anos atrás foi diagnosticado precocemente com câncer de próstata. Fez o tratamento e rapidamente ficou curado. “Se eu dissesse para as pessoas que tenho câncer diriam que era horrível. Se eu dissesse que tenho diabetes as pessoas diriam: É só controlar. Minha vó com 90 anos tem diabetes. As pessoas precisam levar mais a sério a diabetes e nesse sentido é importante a conscientização. As complicações da diabetes são enormemente letais”, alertou.

Também participando do evento, o Doutor Jaime Davidson, representante da Associação Latinoamericana de Diabetes, chamou a atenção para a relação direta entre a diabetes e as doenças cardiovasculares. “A primeira causa de morte hoje na América Latina são as doenças cardiovasculares. E de que morrem a maioria dos pacientes que tem diabetes? De doença cardiovascular”, disse.

Poder público

Já o presidente da Federação Nacional de Associações e Entidade de Diabetes (Fenad), Fadlo Fraige Filho, ressaltou que ainda há muito o que fazer no Brasil com relação a prevenção e tratamento da doença. Ele afirmou que hoje os que mais sofrem no país são os pacientes do SUS e chamou a atenção para o fato de que muitos dirigentes do poder público desconhecem a gravidade e os efeitos nefastos da diabetes.

“Cerca de 50% das pessoas que fazem hemodiálise são pessoas com diabetes. Isso, sem dúvida, agrava os gastos com saúde. Os gestores públicos não veem isso. Só o poder público poderá melhorar esse sombrio horizonte que temos”, afirmou Fraige Filho.

Presidente da ADJ – Diabetes Brasil, Denise Franco afirmou que a luta das pacientes é por tratamentos eficientes que não provoquem uma mudança de rotina tão grande em suas vidas. “Queremos ter um lugar seguro. É preciso ter acesso a medicação. É preciso ter acesso à educação. Eu preciso me sentir segura”, resumiu.

Também alertando para a gravidade da doença que atinge grande parte da população mundial, o presidente da Associação Médica de Brasília, Ognev Meireles Cosac, disse esperar que o novo governo que vai se instalar no país possibilite melhores condições para os médicos atenderem a população.

“Esperamos que as ações conjuntas dessa Casa e das sociedades médicas de especialidades aumentem a atenção da população para a prevenção e o combate ao diabetes. Espero também que haja nessa nova perspectiva de governo o resgate da dignidade médica em toda a sua plenitude, além de dar a nós, médicos, melhores condições de atendimento digno a população brasileira, que muito necessita da atenção primária, secundária, terciária e emergencial”.

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