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Em O Globo, Marcelo Calero diz que vai conversar com esquerda e direita

Liberais: a direita que não votou em Bolsonaro

Grupos como Livres e Instituto Mercado Popular apoiam pautas do presidente eleito ligadas à economia, como reforma da Previdência e a privatização de estatais, mas devem se opor ao conservadorismo nos costumes

DIMITRIUS DANTAS – O GLOBO

Eles são favoráveis à reforma da Previdência, mas também a favor da legalização das drogas. Concordam com Paulo Guedes, mas discordam de Magno Malta. Quando Jair Bolsonaro entrou no PSL, eles saíram. São liberais, mas não votaram no capitão da reserva— alguns, inclusive, optaram pelo candidato do PT, Fernando Haddad.

No limbo da polarização política brasileira, movimentos liberais, como o Livres e o Instituto Mercado Popular, tentam se equilibrar entre o apoio a medidas pró-mercado de Bolsonaro, como na Previdência, e a oposição a pautas conservadoras nos costumes.

A maior parte dos integrantes desses movimentos votou nulo no segundo turno, como a presidente do Livres, a economista Elena Landau, ex-diretora do BNDES no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

— Não tinha como votar no Bolsonaro. Ele não é liberal. Diz que é liberal mas usa a frase “não vou vender a empresa porque é estratégica” — contesta Elena.

Segundo ela, Bolsonaro não é um “restaurante selfservice”: não dá para escolher as partes que agradam e descartar as outras. Também do Livres, o cientista político Fábio Ostermann (Novo), eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Sul, diz que o voto nulo foi uma forma de demonstrar insatisfação ao que classificou de “piores opções disponíveis”.

Para ele, o PT é o símbolo de um projeto que fracassou, e Bolsonaro representa uma“ visão retrógrada”. Os dois deputados federais eleitos ligados ao Livres dizem que pretendem manter uma política centrista, capaz de conversar tanto com a oposição quanto com a situação.

— Algumas pautas vão ser alinhadas com o PSL. Outras vão ser com partidos de esquerda, como o PSOL. Não temos receio —diz Tiago Mitraud (Novo-MG), que também votou nulo na eleição presidencial.

Ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero (PPS-RJ) não fez campanha para nenhum dos candidatos a presidente. O futuro deputado federal afirmou que não se furtará a conversar com a esquerda ou com a direita.

— Precisamos entender o que vai ser levado ao Congresso. Fui eleito de acordo com uma visão, isso não significa estar na oposição ou de acordo com o que o governo propõe —afirma.

O Livres entrou no PSL pelas mãos de Sérgio Bivar, filho do atual presidente da legenda, Luciano Bivar. Após a filiação de Bolsonaro, o grupo saiu da legenda e espalhou os candidatos por diversos partidos.

Presidente do grupo à época da cisão, Paulo Gontijo diz que os liberais terão o desafio de não ser oposição por ser e não cair no canto da sereia do governismo.

— Não é um combo: liberdade econômica mais conservadorismo. Direitos humanos não é pauta de esquerda. Livre mercado não é pauta conservadora. Nós precisamos trazer o equilíbrio — diz Gontijo.

Cofundador do Instituto Mercado Popular, um laboratório de políticas públicas liberais, Pedro Menezes declarou voto em Haddad.

— Bolsonaro me parece instável e a trajetória dele justifica essa desconfiança — diz.

—Acho que o caminho do Paulo Guedes é bom. O PT fala muita bobagem na economia, mas respeito o Haddad.

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