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Ex-executivos da Odebrecht reafirmam conteúdo de delação sobre a reforma do sítio em Atibaia

Reprodução

Segundo a investigação, obras começaram quando Lula ainda era presidente

A situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso envolvendo o sítio de Atibaia (SP) está cada vez mais complicada. Nos interrogatórios desta segunda-feira (5) conduzidos pela juíza substituta Gabriela Hardt, os ex-funcionários da Odebrecht Carlos Armando Paschoal e Emyr Costa reafirmaram o que já haviam dito em delação premiada.

Antes dos depoimentos dos empreiteiros, a magistrada que substitui o juiz Sérgio Moro na 13ª Vara Federal, em Curitiba, negou um pedido da defesa do do petista para adiamento da audiência.

O processo do sítio tem 13 réus. A ação apura se a propriedade e as reformas foram feitas como pagamento de propina em troca do favorecimento às construtoras Odebrecht e OAS em contratos com a Petrobras.

De acordo com as investigações, as obras começaram no sítio quando Lula ainda era presidente. A propriedade não está no nome dele, mas era usada pela família do ex-presidente, conforme a força-tarefa da Lava Jato.

Interrogatórios

O primeiro a ser ouvido foi Emyr Diniz Costa Júnior, que afirmou que o superior dele, o engenheiro Carlos Armando Pascoal, requisitou que ele indicasse um engenheiro de confiança para uma obra de reforma no sítio em Atibaia, que seria usado pelo ex-presidente Lula.

“Ele me chamou no escritório e me disse que precisava que eu destacasse um engenheiro de confiança pra que a gente fizesse uma reforma no sítio em Atibaia, que seria usado pelo presidente Lula”.

O ex-funcionário, que era engenheiro na Odebrecht, também reafirmou que a reforma incluiu a construção de uma casa para os seguranças da Presidência da República que atuavam na equipe de Lula, suítes na casa principal, duas áreas de depósitos para adega e quarto de empregada, sauna, conserto de vazamento da piscina e conclusão de um campo de futebol.

Ele contou ainda que não sabia da existência do Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira, que a obra custou inicialmente R$ 500 mil e que depois passou para R$ 700 mil, e que os valores eram solicitados para uma funcionária da empreiteira.

De acordo com Emyr, depois que a obra ficou pronta ele se encontrou com outro funcionário da construtora com o advogado Roberto Teixeira, amigo de Lula, para regularizar a situação.

Carlos Armando, interrogado na sequência, disse que foi procurado por um diretor pedindo apoio para atender um pedido de ajuda na reforma de uma casa em Atibiaia, que seria utilizada pelo então presidente.

Ele contou ainda que Emyr ficou encarregado da obra. Os dois delatores não souberam dizer se existe uma relação entre as obras realizadas no sítio e os contratos sob suspeita entre as empreiteiras e a Petrobras.

Tanto na delação quanto no depoimento, Emyr disse que durante a reforma precisou de mais dinheiro – e que a quantia foi autorizada.

“Nós tínhamos pedido R$ 500 mil, e que durante a obra, a gente viu que ia dar conta, a obra de reforma tem essas peculiaridades, você não sabe exatamente o que você vai fazer, e nós precisamos de mais R$ 200 mil”, afirmou.

Emyr Costa e Carlos Armando fazem parte do grupo de executivos e ex-dirigentes da empreiteira que fizeram acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR) para relatar irregularidades cometidas pela construtora em troca de eventual redução de pena.

Em abril deste ano, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que fossem retirados da ação do sítio os trechos de revelações feitas por delatores da Odebrecht. A maioria dos ministros entendeu que o conteúdo não tem relação com as investigações da Petrobras.

Mas, como também são réus na ação, nesta segunda eles puderam ser questionados sobre o que sabiam a respeito das obras. (Com informações do G1)

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