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Léo Pinheiro diz que reforma do sítio de Atibaia foi descontada de conta de propinas do PT

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Léo Pinheiro (dir.) diz ter sido "convocado" por Lula para tratar da reforma do sítio

O ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, declarou nesta sexta-feira (10) à juíza Gabriela Hardt que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – preso e condenado na Lava Jato por corrupção passiva e lavagem de dinheiro – se comportava como o proprietário do sítio de Atibaia (SP) e como real beneficiário das obras que a empreiteira realizou no imóvel.

O empresário prestou depoimento na ação penal em que o petista é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o ex-presidente da OAS, foi Lula quem o chamou para conversarem sobre as obras do sítio, mas o ex-presidente nunca teria demonstrado preocupação em saber detalhes dos valores empenhados.

Léo Pinheiro estima que a empreiteira desembolsou entre R$ 350 mil e R$ 450 mil nas obras. Ele também é acusado nesta ação do sítio e está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, mesmo local onde Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de prisão no caso do tríplex do Guarujá (SP).

Além de Léo Pinheiro, outros dois ex-executivo da OAS prestaram depoimento no caso do sítio de Atibaia. O primeiro a falar foi o ex-diretor técnico da OAS Empreendimentos Paulo Gordilho. Ele explicou como foi o processo de reforma da cozinha e contou detalhes de uma reunião para falar sobre este projeto.

Juíza: E, nessa reunião, estava o ex-presidente…
Paulo Gordilho: Dona Marisa e o Fábio
Juíza: Fábio, o filho dos dois.
Paulo Gordilho: É… Aí eu expliquei. A cozinha eles entenderam mais porque era fotografia.
Juíza: E quando o senhor fala o projeto da cozinha do chefe, quem é chefe e quem é madame?
Paulo Gordilho: É o ex-presidente Lula e madame é Dona Marisa Letícia.

“Convocado” por Lula

O segundo a falar à juiza Hardt, substituta do juiz Sérgio Moro, foi Léo Pinheiro. Ele repetiu o que já tinha dito à Justiça na ação sobre o tríplex do Guarujá. Ele disse que foi o próprio ex-presidente Lula que pediu um conserto no lago do sítio e também reformas na sala e na cozinha do sítio de Atibaia, e que também pediu segredo.

Léo Pinheiro: Em fevereiro de 2014, possivelmente no final do mês, eu fui convocado pelo ex-presidente Lula para um encontro no Instituto Lula. Chegando lá, ele me explicou que queria fazer uma reforma, não era uma reforma grande, no sítio em Atibaia. E era numa sala e numa cozinha, e também tinha um problema num lago que estava dando infiltração. Se eu podia mandar alguém, uma equipe, para dar uma olhada e tal. Eu disse ‘não presidente, eu gostaria de ir pessoalmente. O senhor marca um dia que eu vou estar presente’.

No depoimento, Léo Pinheiro voltou a dizer que o valor da reforma no sítio de Atibaia foi descontado de uma conta corrente de propinas que a OAS tinha com o PT e que a reforma no tríplex do Guarujá também veio dessa conta. No depoimento desta sexta-feira, ele ainda explicou que os descontos eram acertados com o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, já condenado na Lava Jato.

Léo Pinheiro: Qualquer despesa extra que tivesse a mando do PT – no caso essas duas coisas que foram feitas diretamente para o presidente a nível pessoal -, como as outras despesas, eu sempre combinava com o Vaccari e fazia-se o encontro de contas.

Léo Pinheiro voltou a afirmar no depoimento que foi orientado pelo ex-presidente Lula, numa conversa já com a Lava Jato em andamento, a destruir documentos.

Léo Pinheiro: Se você tiver alguma coisa, destrua. E foi o que eu fiz. Sei que estava cometendo um crime de obstrução, mas eu também fiquei preocupado com Lava Jato em curso. Isso tava muito na imprensa. Eu orientei o pessoal nosso da controladoria que fizesse um apanhado do que existia de alguma documentação nesse sentido, né? E tinha umas planilhas… A planilha Zeca Pagodinho era uma referência ao triplex, praia. E tinha a planilha do sítio, que estava tudo anotado ali: o que gastou, o que não gastou. Era uma coisa que nós tivemos que tomar essa atitude, até por uma solicitação dele. Então ele sabia. Tratou comigo e me deu essa orientação.

No fim do depoimento, Léo Pinheiro afirmou não ter nenhuma dúvida de que o ex-presidente Lula era o proprietário do sitio e o real beneficiário dessas obras.

O terceiro a falar foi o ex-diretor da OAS Agenor Franklin Medeiros. Ele falou que a OAS teve dificuldade de entrar nos contratos da Petrobras, que Léo Pinheiro tinha uma proximidade com o ex-presidente Lula e que essa relação de proximidade fez com que a OAS conseguisse participar das licitações. (Com informações das agências de notícias e Jornal Nacional/TV Globo)

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