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Lula tem embate com juíza e diz que tinha dinheiro para comprar sítio de Atibaia

Lula diz que pensou em comprar sítio de Atibaia

Ex-presidente tem embate com juíza e nega ter pedido obras para o imóvel

CLEIDE CARVALHO, DIMITRIUS DANTAS, SÉRGIO ROXO E SILVIA AMORIM – O GLOBO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em depoimento à Justiça Federal do Paraná, que teve interesse em comprar o sítio de Atibaia, mas que não levou o plano adiante porque sabia que Fernando Bittar, dono da propriedade, não queria vendê-lo. Lula também negou que tenha pedido a donos de empreiteiras que fizessem obras no imóvel. Lula é réu por corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de ter se beneficiado de reformas no sítio feitas pelas construtoras OAS e Odebrecht. Em troca, segundo a acusação do Ministério Público Federal (MPF), as empreiteiras teriam ganho contratos na Petrobras.

O ex-presidente foi interrogado pela juíza Gabriela Hardt, que assumiu provisoriamente a 13ª Vara Federa de Curitiba, no lugar de Sérgio Moro, que tomará posse no Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

— Pensei em comprar o sítio em 2016 para agradar a dona Marisa. Se eu quisesse, eu tinha dinheiro.

Acontece que o Jacob Bittar (pai de Fernando) não pensava em vender o sítio — afirmou o ex-presidente. As reformas citadas pelo MPF teriam custado mais de R$ 1 milhão e sido feitas entre o fim de 2010, quando Lula ainda era presidente, e 2014. A juíza perguntou se Lula não estranhou que uma grande empreiteira, a OAS, estivesse fazendo obras na propriedade. O ex-presidente afirmou que não foi ao sítio durante as reformas. Segundo ele, as obras foram feitas em 2014, quando ele não era mais presidente e não disputava a eleição.

— Eu não estranhei, porque não era uma grande empreiteira fazendo uma reforma. Era uma pessoa com quem eu tinha relação há mais de 20 anos. Achei que ele tinha cobrado (pelas obras) — disse Lula, referindo-se ao empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS.

Em outro trecho, o representante do Ministério Público Federal citou o depoimento em que Léo Pinheiro relatou que Lula pediu à OAS que fizesse obras no sítio. O ex-presidente negou a acusação:

— Não é verdade. Lula também disse não se lembrar de qualquer conversa com o empresário sobre a necessidade de obras na cozinha e negou ter procurado Léo Pinheiro para tratar das obras mesmo depois que a imprensa publicou reportagens sobre as intervenções da OAS na propriedade.

— Eu já disse que nunca conversei com o Léo sobre dinheiro de reforma, porque eu partia do pressuposto de que o interessado era ele. Se não tivesse recebido, iria se queixar — disse o ex-presidente.

EMBATE COM JUÍZA

Lula disse que também não procurou Fernando Bittar ou os executivos da Odebrecht para obter informações depois de a imprensa ter tratado do assunto. — Eu repudio qualquer tentativa de qualquer pessoa dizer que foi feita uma obra para mim naquele sítio —afirmou o ex-presidente. Lula afirmou que nunca tratou sobre qualquer obra da Odebrecht na propriedade. Ele também negou ter conhecimento sobre as conversas relatadas por delatores da construtora com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, e com o ex-ministro Antonio Palocci.

No início do depoimento, a juíza advertiu o ex-presidente, após uma pergunta de praxe, questionando- o se conhecia a acusação do processo. Lula negou e fez uma pergunta à magistrada:

— Eu sou dono do sítio ou não? Gabriela Hardt afirmou que o ex-presidente é quem deveria responder a pergunta, mas foi interrompida por Lula e reagiu.

— Senhor ex-presidente, esse é um interrogatório, e se o senhor começar nesse tom comigo a gente vai ter problema — disse a juíza.

‘NÃO VOU PERMITIR’

Houve um embate em outro momento, quando a magistrada repreendeu Lula após ele citar um power point apresentado pelos procuradores da força- tarefa da Lava-Jato em Curitiba. Lula disse que, se fosse presidente do PT na ocasião, teria pedido a todos os filiados que processassem o Ministério Público Federal.

— O senhor está intimidando a acusação assim, senhor presidente. Por favor, vamos mudar o tom. O senhor está instigando, e eu não vou permitir — disse Gabriela Hardt.

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