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Bancada do PPS na Câmara reage à polêmica do MEC em obrigar escolas a fazerem propaganda para governo

Robson Gonçalves

Deputados classificam de “abuso” mensagem do MEC com alusão à campanha de Bolsonaro

Deputados federais do PPS foram às redes sociais para criticar o que classificou de “abuso” do Ministério da Educação em enviar ofício às escolas do País para que mensagem governamental e usada na campanha de Jair Bolsonaro fosse reproduzida entre alunos e professores.

A reação é uma resposta à decisão do ministro Ricardo Vélez Rodríguez que enviou para todas as escolas públicas e privadas do País um e-mail pedindo para que, no primeiro dia de aula, o corpo docente e discente acompanhasse a leitura de uma carta do próprio ministro que dizia o seguinte: “Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de você, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”.

O último trecho é slogan de campanha usado para eleger Bolsonaro.

“Eu sou patriota. Exatamente por isso, não apoio iniciativas que se valem do patriotismo para promoção de qualquer governo que seja. O MEC [Ministério da Educação] erra ao impor o uso da estrutura do Estado para divulgar valores da gestão. Erra também ao propor violação do direito de imagem de crianças”, disse o deputado federal Alex Manente(SP), na sua conta no Twitter.

Também pelo Twitter, o líder do PPS, Daniel Coelho (PE), também criticou o expediente usado pelo MEC. Coelho afirma que não é contra a orientação para que se cante o hino do Brasil nas escolas. O problema, segundo ele, é a propaganda político/eleitoral embutida no ato do governo.

“Não há problema em cantar o hino nacional nas escolas. O hino é de todos os brasileiros. O problema é a recomendação para que seja lido o SLOGAN de campanha do presidente eleito. Isso é um abuso a liberdade democrática”, registrou o deputado pernambucano também.

Ex-ministro da Cultura, o deputado federal Marcelo Calero (RJ) também criticou a decisão do MEC.

“Caros, nada de errado com o hino, ao contrário. Quando eu era secretário de Cultura, criamos um programa em que estimulávamos o uso da bandeira, brasão e hino do Rio (“Cidade Maravilhosa”!). Cidadania! O condenável é valer-se dessa louvável iniciativa como ação governamental, com slogan e tudo!”, registrou Calero.

Eleita pelo Distrito Federal, a deputada federal Paula Belmonte (PPS), também discorda do email remetido para as escolas.

“Discordo da recomendação do ministro @ricardovelez, para que filmem as crianças das nossas escolas cantando o Hino Nacional. Usar a máquina pública para divulgação de algo que é do governo, é político, e lutamos contra qualquer ideologia dentro das nossas instituições”, postou a deputada nas redes sociais.

Após a repercussão negativa, o ministro Ricardo Vélez deverá retificar, segundo informa a Rádio Jovem Pan, o e-mail enviado às escolas que exigia ainda que os alunos fossem filmados e as imagens remetidas para o governo.

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