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Eduardo Assis: Há espaço de um projeto para o Brasil!

Quando em 2002 Lula chegou ao poder, havia na Nação uma esperança de dias melhores, de equilíbrio de renda e de um projeto a longo prazo para o país. Mas em pouco tempo se ficou claro, “sem mudança não haveria esperança”.

Mesmo com uma aprovação nunca antes vista, em vez do governo lulopetista implantar uma atualização do Estado Brasileiro, defender desde logo, reformas estruturantes, o Partido que ascendeu sob a égide da esperança, preferiu a velha política de coalização com custos altos para o Erário. Uma relação promíscua entre os Poderes, perpetuando assim, feudos acostumados ao poder e alimentando Partidos fisiológicos, sem qualquer proposta com profundas transformações para a sociedade.

Todavia, em busca da consolidação deste projeto de poder, o governo lulopetista aparelhou as estruturas do Estado, criou sistemas de financiamento dos movimentos sociais, blogueiros e um balcão de negócios (denunciado em 2004 pela então Senadora Heloisa Helena “balcão de negócios sujos”) que nutria muitas máquinas partidárias, com o único propósito, manter-se a qualquer custo no Governo (e esta conta temos aos bilhões na atualidade). Um dos meios mais eficazes foi o discurso populista, muito comum nos caudilhos sul americanos, criando assim uma “guerra de classes”, acirrando as diferenças e o ódio entre pessoas, empurrando cidadãos até então isentos de preferências, começarem a se movimentar na medida que o tom se elevava do “nós contra eles”.

E foi com este objetivo e meios que guindou-se Dilma Rousseff, e ai a coisa degringolou de vez, em patamares pouco visto na história republicana, porquê além de todo aparato no sequestro do Estado, se perdeu as articulações políticas, criando uma disputa entre Poderes, onde o resultado não poderia ser outro, senão o fatídico Impeachment de uma presidente inerte.

Entretanto, a ruptura já estava profunda entre forças de esquerda, que mesmo não representadas por PT e seus orbitais, foram empurradas para um caos social e de revolta da população contra tudo que estava implantando, levando toda uma corrente de pensamento a vala comum. Neste momento fervilhou em meio ao desalento e indignação da população nichos de grupos antidemocráticos e que beiram o radicalismo. Adormecidos nos mais obscuros porões dos brasileiros, revigoraram com o fracasso de governos ditos populares e de esquerda, que tão somente se apropriaram, sem na verdade ascenderem numa original transformação social.

Nessa onda radical o bom senso e a sobriedade foram deixadas de lado e a esperança se voltou para os dois extremos, que não são salutares em nenhuma democracia plena, e a eleição presidencial deixou mais latente esta dicotomia. A campanha empurrou a eleição para dois polos, de um lado tínhamos o representante do lulopetismo, que criou todas as situações que deixaram a sociedade doente, e de outro sentido, um deputado medíocre, com caráter duvidoso, mas que soube abraçar de forma dissimulada todos esses sentimentos envergonhados e escondidos dos brasileiros, resultando na sua ascensão a Presidência da República.

Para frustração da democracia, o discurso não era apenas para ganhar a eleição, mas sim o pensamento de um presidente que ignora a liturgia do cargo e que passou a governar da mesma forma que o lulopetismo, de cima do palanque, usando ideologia demagógica e caudilhista, o qual toda a história nos ensinou que não há longevidade.
René Descarte em 1600 já nos ensinava que o bom senso é a coisa mais bem distribuída e que todos pensamos tê-la, e o livro dos Provérbios na Bíblia Sagrada diz “o bom senso o guardará, e o discernimento o protegerá”. Todavia não é o que vivemos nos dias de hoje, a radicalização encorpou de tal forma na sociedade que ou você é petista/socialista ou bolsonarista/minion, não tendo destaque para o discernimento.

A sociedade continua com sua crise democrática, não enxergando o papel fundamental da situação e da oposição e a importância da crítica propositiva para corrigir os rumos de quaisquer governos.

Em dois meses do governo Bolsonaro vivemos um recorde de problemas de gestão, escândalos políticos, indícios claros de corrupção e discursos que nos remetem a Idade Média, nos colocando na mesma toada atrasada que vivemos nos últimos anos, senão mais.

Churchill um dia declarou que não há loucura mais cara que a do idealismo intolerante, mas infelizmente a sociedade atual tem pensado em politica como um torcida de futebol, mesmo aqueles que jamais estudaram, leram ou tiveram qualquer participação/ formação política passaram a ser defensores de um Governo com base nas fakenews e nos MBLs da vida, assim como no “guru exilado na Virginia (EUA)”, Olavo de Carvalho, até ontem um desconhecido.

Tancredo Neves nos ensinou nos tempo difíceis da Ditadura Militar e da luta pela redemocratização que ninguém pode ter outro interesse se não o de que se consolide o regime de liberdade, “sem o qual não há Nação que possa qualificar-se de civilizada” e este é o desafio que os democratas tem pela frente, ajudar o Brasil a crescer e superar a falência promovida pelo governo Dilma, sem cair na loucura fundamentalista do regime Bolsonaro.

Um caminho se apresenta para novos atores que buscam dentro da democracia um novo rumo para a modernização do Estado, avanços tecnológicos, crescimento econômico e sustentável, criando assim um ciclo que garanta a todos os brasileiros a plena cidadania, os direitos fundamentais de acesso as garantias constitucionais, um Judiciário que promova a JUSTIÇA, eficaz e imparcial, fazendo do Brasil um pais onde todos os brasileiros sejam iguais, independente de raça, cor, religião ou localidade, nem brasileiros melhores ou piores, mas todos CIDADÃOS.

“Ninguém pode ter outro interesse se não o de que se consolide o regime de liberdade, sem o qual não há Nação que possa qualificar-se de civilizada. ” – Juscelino Kubitschek.

Eduardo Assis, membro da Comissão Executiva do PPS-SC e suplente do Diretório Nacional do PPS

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